O PIB (Produto Interno Bruto) do setor deve registrar crescimento de 2,8% neste ano, segundo projeção divulgada ontem pela CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). Bem menos que os 3,5% a 4% esperados para o crescimento da economia do país como um todo.

A estimativa foi feita pela CNA em parceria com a USP (Universidade de São Paulo) com base no desempenho do agronegócio nos primeiros cinco meses deste ano --entre janeiro e maio, o crescimento foi de 1,11% em relação ao mesmo período de 2003. No início do ano, as instituições previam um crescimento de 5,8% para o PIB do setor em 2004.

Em 2003, ocorreu o inverso: segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o agronegócio cresceu 5%, enquanto o PIB brasileiro encolheu 0,2%.

O desempenho abaixo da média do agronegócio deve ser compensado pelos resultados da indústria, que têm ficado acima do esperado nos últimos meses.

Quebra de safra

Segundo a CNA, o principal motivo para a redução no ritmo do crescimento do agronegócio é a quebra da safra de soja, conseqüência de problemas climáticos --como a seca observada na região Sul-- e da incidência da ferrugem asiática em algumas plantações do produto. A doença causa desfolhamento e redução do peso dos grãos de soja.

Inicialmente, a Conab (Companhia Brasileira de Abastecimento) projetava que a safra de soja pudesse chegar a 57,7 milhões de toneladas. Devido aos problemas enfrentados pelos produtores, esse número foi reduzido para 49,7 milhões de toneladas.

Apesar da redução na estimativa de crescimento, a CNA ainda se mostra otimista com as exportações do setor. As vendas do agronegócio para o exterior somaram US$ 22,24 bilhões entre janeiro e julho, crescimento de 37,2% ante o mesmo período de 2003.

De acordo com o Departamento de Comércio Exterior da CNA, as exportações estão sendo puxadas pela carne e pela soja. As vendas desses dois produtos para o exterior deve ficar em US$ 15 bilhões neste ano --foram US$ 9,9 bilhões entre janeiro e julho.