A fila de caminhões carregados com soja, em direção ao Porto de Paranaguá, chegou ontem ao município de Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba. São mais de 5 mil caminhões, ao longo de 113 quilômetros, já descontado o trecho de serra onde a fila é interrompida, além de concentrações menores em outras rodovias da região. Segundo a administração portuária, o problema decorre dos estragos causados pelo temporal de domingo, que suspendeu os embarques por mais de 24 horas e danificou equipamentos dos terminais, alguns dos quais ainda não conseguiram normalizar a operação.

No fim da tarde de ontem, a fila avançava 13 quilômetros pela BR-277, no sentido Campo Largo. Também havia caminhões parados nas imediações da Ceasa, na BR-116, e na BR-476, onde a fila chegava à refinaria da Petrobrás, em Araucária. É o maior acúmulo de caminhões desde o início da atual safra de grãos, no mês passado.

O chefe do Departamento de Operações Portuárias da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Leopoldo Bastos Jorge, disse que a fila é resultado da conjugação de três fatores: a interrupção dos embarques no sábado e domingo, por causa da chuva; os danos provocados pelo aguaceiro nos terminais de embarque e outras instalações do porto; e o feriado de Páscoa, que levou muitos caminhoneiros e pararem por dois dias, provocando acúmulo a partir da tarde de domingo.

O temporal de domingo afetou instalações elétricas, telefônicas e de informática nas áreas pública e privada do porto. As operações foram parcialmente retomadas na madrugada de segunda-feira, mas a suspensão ainda repercute. Segundo o administrador do pátio de triagem, Eduardo Reis, quando a chuva começou havia apenas 400 caminhões no pátio, onde cabem 1,2 mil. “Era feriado e muitos caminhoneiros ficaram em casa”, disse.

Quando o movimento em direção ao porto recomeçou, no fim da tarde de domingo, o sistema informatizado estava parado e isso atrasou a entrada de novos caminhões no pátio. Na segunda-feira, o pátio operou o dia todo com uma média de 450 vagas.

Ontem, segundo Reis, o porto já havia voltado ao ritmo normal de entrada no pátio, que é de cerca de 95 caminhões por hora. Mas, por causa dos problemas nos terminais de embarque, a saída do pátio em direção às moegas estava abaixo do normal.

O chefe do Departamento de Operações Portuárias disse que apenas cinco dos nove terminais estavam operando na segunda-feira, entre eles o silão público. Ele disse que não tinha informações precisas sobre a situação ontem, mas afirmou que alguns terminais ainda tinham problemas.

“Alguns terminais sofreram danos elétricos e mecânicos e estão operando precariamente o sistema de descarga”, disse o gerente do terminal da Coamo, Airton Galinari. Segundo ele, a Coamo voltou a operar normalmente ontem, mas existe a preocupação de que os problemas em outros terminais afetem a recepção de cargas nos que estão funcionando.

Bastos demonstrou a mesma preocupação. “A fila não é seletiva, é comum a todos. Se um terminal não pode receber mais cargas, os caminhões que se dirigem a ele podem travar a fila”, disse. Por enquanto, segundo ele, a situação não afetou o ritmo de embarque, mas a possibilidade de que isso ocorra nos próximos dias não pode ser descartada. Ontem havia 350 mil toneladas de grãos estocadas em Paranaguá, 14 navios atracados (dos quais oito para carregar grãos) e 21 ao largo (17 para grãos).

Bastos disse que a Appa não pode evitar que a fila de caminhões aumente. “Os terminais recebedores é que têm que avisar ao lugar de origem das cargas que não há mais espaço”, disse.

O presidente da Federação Nacional dos Caminhoneiros (Fenacam), Diumar Cunha Bueno, criticou a Appa por atribuir à folga dos caminhoneiros durante o feriado parte da culpa pela fila em direção ao porto. “Os caminhoneiros começaram a chegar na segunda-feira cedo, e a fila explodiu na terça”, disse. “O que falta é a administração do porto punir quem não cumpre as regras combinadas antes da safra, de só mandar descer carga com embarque agendado.

Lorena Aubrift Klenk