Uma parceria entre madeireiros e produtores rurais é a alternativa encontrada pelo setor extrativista para gerar créditos de reflorestamento para a indústria madeireira. A projeção do Sindicato dos Madeireiros do Extremo Norte de Mato Grosso (Simenorte) é de que em oito anos vai faltar matéria-prima para as atividades do setor. Com a alternativa, seria suprida a demanda de madeira a médio e longo prazos.
A produção de madeira em tora, que equivale a quantidade de madeira retirada da floresta para abastecer a indústria madeireira, teve uma pequena variação de 0,95% no Estado entre 1998 e 2003. Nesse intervalo de tempo, a produção saltou de 2,576 milhões de metros cúbicos (1998) para 2,601 em 2003, segundo o último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Enquanto isso, no mesmo período houve uma redução de 68,41% no volume de madeira em tora produzida no município de Alta Floresta, onde fica a sede do Simenorte. Em 98, a cidade produziu 36,2 mil metros cúbicos de madeira em tora. Já em 2003, esse volume caiu para 11,4 mil metros cúbicos.
Em parceria com os produtores rurais, o sindicato espera retomar um programa de reflorestamento iniciado em 2002 pela AB Agroflorestal, no qual era realizado o plantio de mudas de árvores em propriedades rurais, conforme explica o novo presidente do Simenorte, Augusto Francisco dos Passos. Dando continuidade a esse trabalho, ele espera garantir o abastecimento da indústria madeireira daqui a alguns anos.
De acordo com o engenheiro florestal que está auxiliando no projeto, Neocir José Aires, 200 mil mudas de Teca, uma árvore originária da Ásia, foram plantadas em 100 propriedades rurais pelo programa de reflorestamento em 2002. Em média foram colocadas 2 mil árvores por propriedade, mas o trabalho teve que parar devido ao custo para a empresa que mantinha o programa.
O sindicato quer agora expandir a quantidade de participantes. Segundo o sindicalista, existem cerca de 8 mil pequenas propriedades rurais na região de Alta Floresta, Carlinda e Paranaíta que podem ser parceiros nessa ação. Com isso, num prazo de 12 a 15 anos, as árvores oriundas desse plantio poderão servir de matéria-prima para suprir a demanda das indústrias madeireiras.
Para Neocir Aires, o programa desenvolvido pela AB Agroflorestal serve apenas
como uma amostra do que pode ser feito pois 200 mil mudas não seriam suficientes
para abastecer nem mesmo uma indústria de médio porte. Por isso, para suprir a
demanda ao menos das 57 empresas madeireiras associadas ao Simenorte, que
representam cerca de 40% das indústrias existentes na região de Alta Floresta, é
preciso que novas propriedades participem do projeto.