Os sojicultores de Mato Grosso já contabilizam prejuízo de R$ 1,5 bilhão na safra 2004/2005, que teve o plantio iniciado em julho. O valor corresponde ao saldo negativo obtido entre os custos de produção fixo e variável e a receita proveniente das vendas da oleaginosa. As contas no vermelho só não estão maiores porque o Estado prevê aumentos da produção e de produtividade na cultura.
Apenas com a soja, o prejuízo nacional está em R$ 7,894 bilhões. A CNA estima custo de R$ 33,193 bilhões e receita de US$ 25,299 bilhões. E Mato Grosso, maior produtor brasileiro da oleaginosa, ficará com uma parcela de 11% referentes ao R$ 1,5 bilhão.
Os números foram apresentados ontem em Cuiabá em reunião das Comissões Nacionais de Crédito Rural e de Cereais, Fibras e Oleaginosas da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
No país, as perdas projetadas somam R$ 17,5 bilhões, para as cinco principais culturas (arroz, soja, milho, feijão e algodão). O valor é resultado do custo de R$ 69,96 bilhões e receita de R$ 49,41 bilhões, conforme dados apresentados pelo presidente da Comissão de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA, Marcel Félix Caixeta
O encontro de ontem teve como objetivo debater e apontar soluções para os problemas que estão acontecendo no setor. A alta dos custos de produção e a queda do preço da soja no mercado internacional são apontados como os principais fatores de preocupação dos empresários rurais.
"Na safra passada o produtor precisava de 17 sacas de soja para comprar uma de fertilizante e hoje são necessárias 30 sacas, enquanto na comparação entre os mesmos períodos o valor de uma saca era de US$ 16 e agora está US$ 8,5", afirma o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e secretário de Desenvolvimento Rural, Homero Pereira.
No levantamento de intenção de plantio divulgado em outubro pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Mato Grosso terá nesta safra uma produção de 15,840 milhões de toneladas de soja, ou seja, 5,5% a mais sobre os 15 milhões de 2003. A área plantada será de 5,560 milhões de hectares ante 5,148 milhões de hectares.