Desde 26 de janeiro, cerca de 115 mil pessoas já passaram pelos pavilhões da feira --aberta aos finais de semana até 20 de fevereiro-- e mais de 24 mil assistiram ao espetáculo que conta a história do vinho, a ser reapresentado nos dias 16, 17 e 19 deste mês.
Divulgação
Festa se transforma em evento de negócios
"Antes da Fenavinho 2007 o Brasil não tinha proposta de uma feira de negócios e festa que reunisse todo o Brasil", disse o presidente do evento, Tarcísio Vasco Michelon.
Além do sucesso de público e de vendas de vinhos e produtos da agroindústria, a Fenavinho comemora os resultados do Projeto Comprador que prospectam para os próximos 12 meses um volume de negócios superior a R$ 900 mil com compradores nacionais e US$ 1,12 milhão em exportações.
"Nossa tarefa é divulgar e promover o produto nacional, trazendo o Brasil até o vinho", disse Michelon, acrescentando que esse será o maior lucro da festa.
A primeira Festa do Vinho foi realizada em 1967. Quarenta anos depois, o evento teve seu conceito ampliado, visando integrar, valorizar, promover e divulgar todas as regiões vitivinícolas do Brasil.
"Em 40 anos de Fenavinho, a média de vinícolas participante do evento não passava de 15. Este ano, contamos com a participação de 84".
Renovação do setor
Nos últimos 10 anos, o setor vitivinícola brasileiro, concentrado basicamente
na Serra Gaúcha, deu um salto de qualidade, aliando tradição à tecnologia e
passando a produzir vinhos finos em condições de competir no mercado nacional e
internacional com produtos estrangeiros.Ivone Portes/Folha Imagem
Uvas passam por seleção na Vinícola Miolo
Grandes vinícolas como Salton, Miolo e a cooperativa Aurora ou mesmo as de menor porte como Valduga, Boscatto, Pizzato, Sulvin e Don Laurindo, entre outras, se renderam à tecnologia, mas sempre acompanhando de perto o cultivo das uvas, com foco na qualidade.
"De uma uva boa você pode fazer um vinho ruim, mas de uma uva ruim jamais vai fazer um bom vinho", comentou o enólogo da Salton, Carlos Zanus.
Segundo o enólogo da Aurora, Antonio Czarnobay, "há cerca de dez anos, por exemplo, não existia na região uvas vitis-viníferas [usadas na produção de vinhos finos]".
Ivone Portes/Folha Imagem
Cultivo de uvas no sistema espaldeira
Para Adriano Miolo, um dos maiores avanços no setor dos últimos 10 anos foi a migração do sistema de plantio, da chamada latada (parreiral) para espaldeira simples (cultivo em fileiras), um dos mais utilizados pelos viticultores no mundo. No Rio Grande do Sul, a espaldeira é adotada especialmente na Campanha e por algumas vinícolas da Serra Gaúcha.
Clóvis Boscatto, dono de uma pequena propriedade em Nova Pádua (RS), próxima ao Vale das Antas, apostou na tecnologia no campo e implantou um sistema pioneiro no Brasil de irrigação automática. Como o vinhedo da família está em uma área de microclima diferenciado, 100% da área plantada é irrigada.
Bento Gonçalves
Conhecida como a capital brasileira da uva e do vinho, a cidade de Bento Gonçalves é um dos mais importantes roteiros turísticos da Serra Gaúcha. Com pouco mais de 102 mil habitantes, o município esta entre as dez maiores economias do Rio Grande do Sul, com um PIB (Produto Interno Bruto), segundo dados da Fenavinho Brasil.
Além disso, tem um expressivo pólo moveleiro, respondendo por 40% da produção do Estado e cerca de 8% da nacional.
Serviço
Fenavinho: até 20 de fevereiro
Horários: sexta, das 14h30 às 22h30; sábado e domingo, das 10h às 22h30;
segunda e terça-feira de Carnaval, das 10h às 22h30.
Entrada: R$ 5 ou R$ 2,50 para estudantes e idosos
Onde: Parque de Eventos de Bento Gonçalves
Espetáculo cênico: sexta, sábado e segunda-feira de Carnaval às 21h
Ingresso: R$ 10
*A jornalista viajou a Bento Gonçalves a convite do Projeto Imagem, uma parceria entre Fenavinho Brasil, Ibravin (Instituto Brasileiro do Vinho), Apex (Agência de Promoção das Exportações) e Sebrae.