Ele sugeriu ao governo chinês que dê atenção à nova economia de outros países em desenvolvimento. E citou o caso do Brasil, líder no uso do etanol, e da Índia, que vem apostando na energia eólica.

"A China tem demonstrado ao mundo que o sistema econômico ocidental, baseado no automóvel e na cultura de usar e tirar, não serve ao mundo em desenvolvimento nem aos países industrializados", explicou o fundador e presidente do Instituto de Políticas para a Terra.

Brown é uma das vozes mais reconhecidas no ambientalismo mundial. Ele apresentou a versão em mandarim de seu último trabalho "Plano B 2.0", no qual desenha as linhas do que deve ser uma economia sustentável.

A China, afirmou Brown, ultrapassou os Estados Unidos como principal consumidor combinado de grãos, carne, petróleo e aço. Se mantiver a sua tendência atual de crescimento, no ano de 2031 não haverá recursos na terra que satisfaçam a sua demanda.

A subida dos preços do petróleo, na sua opinião, teve um lado positivo: tornar "rentável" o investimento em energias alternativas. "O desafio é calcular o custo indireto do que consumimos e incorporá-lo ao preço do produto. É necessário reestruturar todo o sistema de taxas", afirmou.

Brown questionou a aposta de Pequim na energia hidroelétrica, com projetos descomunais como as Três Gargantas, e a nuclear. "Não há uma só usina nuclear no mundo que seja competitiva no mercado elétrico. É preciso levar em conta os custos embutidos,como a gestão dos resíduos e o risco de acidentes", disse.