A elevação no preço do bushel (27,2 quilos) da soja comercializado no mercado internacional, que registrou US$ 6,78 na Bolsa de Chicago ontem, já possibilita ao produtor de Mato Grosso um pouco mais de tranquilidade para enfrentar a crise que assola o setor nesta safra. O preço do bushel pago pela oleaginosa atinge o maior patamar nos últimos dias, o que acena maior estabilidade na comercialização da produção e a chance de equilibrar os prejuízos projetados para o período, de US$ 574,325 milhões.
Comparada à valorização com a queda contínua da commodity que se arrastava desde junho de 2004, quando o bushel era vendido a US$ 8, a diferença entre o menor preço registrado recentemente, no dia 4 de fevereiro deste ano (US$ 4,98), considerado o prognóstico de produção de mais de 17 milhões de toneladas de soja em Mato Grosso, gera ao final dos cálculos um montante virtual de US$ 1,109 bilhão, caso toda a produção fosse vendida ontem. Para cada tonelada, estima-se um incremento de US$ 65,27.
O secretário Extraordinário de Projetos Estratégicos de Mato Grosso, Cloves Vettorato, lembra que a cotação verificada no dia 4 de fevereiro de US$ 4,98/bushel é encarada pelo setor agrícola como o "fundo do poço" à atividade sojicultora no Estado. Já na segunda-feira desta semana, o bushel era comercializado a US$ 6,61.
O governador Blairo Maggi ressalta que a alta nos preços já possibilita novas perspectivas. "Há alguns dias o produtor se espantava com os preços. Muitos não conseguiam imaginar que os valores começariam a mudar dessa maneira. Essa situação já permite um alívio para os produtores", avalia o governador e maior produtor individual de soja do mundo.
Contudo, Vettorato lembra que as oscilações do mercado ainda poderão influenciar os preços. Outro fato a ser considerado é a comercialização da safra, vendida pelos sojicultores sob preços e cotações diferentes, de acordo com a data e contratos estabelecidos.
Vettorato também lembra que, apesar da alta nos preços da soja, outras commodities como o algodão, largamente produzido no Estado, ainda amargam baixas cotações, impedindo o suprimento dos custos.