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Com o slogan "Uma viagem ao Brasil que Produz", Rally da Safra 2.004 percorreu as principais regiões produtoras de grãos do Brasil, no final de novembro. Ao todo foram percorridos cerca de 25.500 km em rodovias nos mais diversos estados de conservação. A comitiva visitou 90 produtores distribuídos em 14 estados brasileiros. Durante a viagem buscou-se levantar dados referentes à tecnologia empregada na produção, bem como traçar um perfil dos produtores a fim de saber quais são seus objetivos, qual é seu comportamento diante as várias inovações tecnológicas e lançamento de novos produtos.

A apresentação dos dados colhidos pela equipe do Rally da Safra 2004 foi feita através da divisão em quatro regiões climáticas. A primeira é caracterizada por inverno úmido e frio: propícia ao plantio de safrinha de trigo e aveia. Compreende todo o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e sul do Paraná. Nesta região foram visitados 18 produtores, sendo 9 no Rio Grande do Sul, 5 em Santa Catarina e, 4 no sul do Paraná.

A equipe do Rally da Safra constatou nesta região que poucos produtores utilizavam terraços em suas áreas de lavoura, o que é justificado pelos produtores como sendo resultado do emprego do plantio direto. Nestas propriedades, verificou-se ainda que havia uma boa formação de cobertura morta sobre o solo, o que impedia a formação de erosão.

Em relação aos produtores que ainda utilizam terraços é importante notar que ocorreram mudanças na sua utilização com o advento do plantio direto. Entre elas, se destaca a redução do número de terraços, o aumento da largura de sua base e o rebaixamento dos terraços. Estas mudanças, que aumentam o rendimento das operações mecanizadas, ocorreram em virtude do emprego do plantio direto, com a conseqüente formação de cobertura morta, o que impede a formação de erosões.

Outro problema muito comentado pelos produtores é o da alta incidência de pragas de solo, que segundo eles surgiram com a persistência do plantio direto. Porém, quando estes produtores eram questionados se este problema os levariam a abandonar o sistema, eles eram enfáticos em dizer que o plantio direto é imprescindível à sustentabilidade da agricultura e que, portanto, eles apenas teriam de buscar soluções viáveis para conviver com este novo problema.

Na região dois caracterizada por inverno úmido e ameno, que engloba o norte do Paraná, sul de São Paulo e sul do Mato Grosso do Sul, os produtores têm como opção para a safrinha, além das culturas do trigo e aveia, o milho e o sorgo. Foram visitados 16 produtores, sendo oito no Paraná, quatro em São Paulo e, quatro no Mato Grosso do Sul. Em Campina da Lagoa (PR), a equipe visitou o produtor Lauro Geminizack que, com plantio direto, chega a produzir três safras por ano, sendo: soja precoce no verão, milho e trigo.