Mas há um entrave: a expansão segue na direção contrária, rumo à Amazônia e não ao Centro-Sul do país onde estão concentradas essas terras. O alerta foi feito ontem pelo pesquisador da Unicamp José Graziano da Silva, durante o segundo dia do congresso da Sociedade Brasileira de Economia e Sociologia Rural (Sober), em Cuiabá.

O estudioso detalha que essa fronteira interna é subutilizada; alcança índices de uso de 30%, aproximadamente. O problema, segundo ele, é que boa parte dessas áreas estão nas mãos de proprietários de concepção patrimonialista, que têm objetivo de especulação imobiliária da terra. Outra fatia está ocupada por pastagens degradadas, que não são nem recuperadas e nem arrendadas, dado o alto custo daquela solução.

Para Graziano, as políticas públicas desenvolvidas na atualidade permitem vislumbrar uma melhor utilização dessas terras a médio prazo. Isso porque o governo assumiu com empenho o financiamento de recuperação de pastagens (Programa Pró-pasto) e também pressiona com a reforma agrária a desapropriação de terras improdutivas, segundo Graziano, que é autor das mais importantes publicações brasileiras sobre Economia Rural. Ele acrescenta que o esforço de mudar a direção da abertura de fronteira agrícola no país também deve se pautar pela questão comercial.