O Paraná tem 4 milhões de toneladas de milho a serem comercializadas. A lentidão na venda preocupa os produtores, que já pensam em reduzir o plantio na próxima safra. Da estimativa de 3,48 milhões de toneladas do milho safrinha, 1,21 milhão de tonelada foi vendido. Já da safra normal foram comercializadas 5,9 milhões de toneladas das 7,6 milhões de toneladas que devem ser produzidas. “O mercado está parado”, explica a agrônoma do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), Vera da Rocha Zardo. “Os consumidores estão abastecidos e não há risco de desabastecimento no mercado este ano”.
A saca de 60 quilos chegou a ser cotada a R$ 25 no início do ano. Em abril estava em torno de R$ 18 e hoje gira em R$ 14. A queda causa uma paralisação no mercado interno, fazendo com que quem tem milho para vender aguarde o preço melhorar.
Na região maringaense, o gerente comercial da Cocamar Cooperativa Agroindustrial de Maringá, José Cícero Aderaldo, aponta que pode ter uma quebra aproximada de 30% na atual safra, o que desanimaria ainda mais os produtores. As condições climáticas não colaboraram. O tempo estava seco na época do plantio e houve excesso de chuva no período de desenvolvimento, além da cultura ter enfrentado também um pequeno período de geada.
Quem já garantiu que vai reduzir o plantio para a próxima safra é Antônio Pedrini, 56 anos. Ele planta 1,6 mil hectares de milho no município de Floresta (a 20 quilômetros de Maringá). Pedrini entregou 90 mil sacas de milho para a Cocamar e a estimativa dele é de que apenas 10% tenham sido vendidos. “Está havendo muita oferta e o consumo está lento”, considera o agricultor, que planta milho há 16 anos. Pedrini avalia que poderá ter um prejuízo em torno de 30%, o que deve reduzir em 50% o plantio de milho para a safra normal e levá-lo a investir mais em aveia e canola.
O Paraná terá uma redução na área de plantio de milho de 7,3% em relação à safra de 2003/2004. A estimativa é da Secretaria da Agricultura, que também aponta que a produção da próxima safra será de 7,06 milhões de toneladas, sendo 8% menor que a safra anterior, de 7,66 milhões de toneladas. O plantio está em 50% e a estimativa na redução da área se deve à falta da garantia de comercialização e do aumento no custo de produção de 17%.
Andye Iore