A sigatoka negra, doença que avançou sobre os bananais de Mato Grosso, é a principal responsável pela redução de quase 20 mil hectares na área plantada do produto no Estado. Há cinco anos, quando o primeiro foco da sigatoka foi detectado, eram 30 mil hectares. Em 2004, levantamento do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea), aponta que o plantio está reduzido em 11 mil hectares.

"Os produtores acabaram ficando desestimulados em plantar", destaca a coordenadora do Programa de Prevenção e Controle da Sigatoka Negra, Márcia Martins. O desestímulo tem origem no impedimento da comercialização da banana fora das regiões infestadas pela doença. Folhas e mudas são igualmente proibidas de serem transportadas, pois o fungo pode estar alojado nessas partes da planta.

Paralelo a isso há o controle realizado na tentativa de impedir que o fungo se alastre para outras regiões. Como instrumento de fiscalização, o programa consiste em vistorias de cargas em 16 postos fiscais situados em pontos estratégicos, sete deles interestaduais. O proprietário deve apresentar a documentação expedida pelo Indea, composta pelo Certificado Fitossanitário de Origem (CFO) e a Permissão de Trânsito.

Cerca de 100 veículos foram fiscalizados nos últimos dois meses nos postos do Indea. Uma carga com 93 quilos de banana foi apreendida, vinda de Rondônia. Toda carga capturada, por medida de segurança, é amassada e enterrada.

O programa de controle da doença no Estado está vinculado à Coordenação de Defesa Sanitária Vegetal do Indea e é desenvolvido desde 1999, quando foi descoberto o primeiro foco da doença no município de Lambari D"Oeste, na região de Cáceres.

Entretanto, a rapidez com que o fungo se alastra pelos bananais fez com que a doença se expandisse para diversas áreas de Mato Grosso.

Juliana Scardua