WASHINGTON - "Estamos fazendo algum progresso, lentamente, com a UE. Algum progresso lento, mas constante, eu acho, com o Brasil", disse Schwab em entrevista que vai ao ar pela TV pública C-Span no domingo.

"Há outros países, porém -- inclusive, por exemplo, a Índia -, que tendem a ser menos inclinados a serem um contribuinte pró-ativo", disse ela. "Alguns países são simplesmente menos inclinados a terem um papel de liderança nas negociações comerciais globais."

A Índia, que tem cerca de 600 milhões de pessoas vivendo da agricultura de subsistência, quer que os países desenvolvidos isentem uma longa lista de produtos agrícolas das reduções tarifárias previstas nas negociações da chamada Rodada de Doha.

Já os EUA insistem que grandes países em desenvolvimento, como Brasil e Índia, abram mais os seus mercados agrícolas em troca do corte de subsídios norte-americanos.

Schwab disse torcer para que a Índia "seja parte da solução ao invés de reter as negociações".

Iniciada em 2001 com o objetivo de ampliar o comércio mundial e tirar milhões de pessoas da pobreza, a Rodada de Doha foi suspensa em julho, devido a diferenças entre os principais participantes a respeito de tarifas e subsídios agrícolas.

Por meio de negociações informais nos meses seguintes, os países começaram a criar abordagens alternativas que envolvem a negociação de novos compromissos de abertura de mercados para cada um dos produtos agrícolas mais importantes dos parceiros comerciais.

A idéia por trás disso é que será mais fácil para os países aceitarem uma fórmula geral de redução de subsídios e tarifas se eles tiverem uma idéia mais clara de como serão tratadas as matérias-primas agrícolas mais sensíveis.

Schwab inicialmente resistiu ao citar os cinco ou seis produtos norte-americanos que poderiam figurar nessa lista. "Nunca peça a um negociador que escolha entre seus filhos", afirmou.

Mas, sem dar uma lista definitiva, ela identificou como o principal objetivo dos EUA um maior acesso a outros mercados para sua produção de carne, porco, frango e soja.

Ela não quis dizer se os EUA vão blindar o açúcar, que é um produto politicamente sensível no país, de novas aberturas de mercados significativas a serem feitas no pacto.

"Vamos trabalhar muitíssimo para garantir que não estamos fazendo algo que vai resultar em deslocamentos significativos domesticamente. Dito isso, uma rodada de comércio global significa que todos abrem seus mercados", afirmou.

Schwab afirmou ainda acreditar que os produtos rurais norte-americanos aceitarão abrir mão de subsídios se outros países abrirem seus mercados. "Acho que nossos grupos agrícolas estão confortáveis com essa equação, desde que haja algum equilíbrio".