A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) começou a
disponibilizar de forma online a fila atualizada de produtos
agroquímicos que aguardam análise pelo órgão. A medida possibilitará
maior previsibilidade ao setor agropecuário e aos fabricantes dos
produtos, que agora podem controlar o andamento das demandas em tempo
real.
Qualquer cidadão pode ter acesso às filas de análise toxicológica da
Gerência Geral de Toxicologia da Anvisa por meio deste link
:http://www.anvisa.gov.br/listadepeticoes/index.asp. O sistema informa
a data de entrada do pedido de análise, o expediente gerado e a
descrição do assunto. O nome dos produtos não é informado, mas os
fabricantes podem ter acesso a essa informação por meio do número de
protocolo.
Antes do novo sistema, disponível desde o último dia 21, o fabricante
interessado em saber o andamento do seu pedido tinha que solicitar um
documento em formato PDF à Anvisa, que respondia individualmente a cada
demanda. Esse processo era mais lento e burocrático.
De acordo com a agência, o sistema online tem o objetivo de dar “maior
transparência ao trabalho da Anvisa e prestar contas à sociedade sobre
sua ação regulatória”. A medida, informa, “resulta na melhor eficiência
e celeridade da administração pública”.
Para ser registrado, o agroquímico para uso agrícola deve passar por
avaliação de três órgãos: Anvisa, Ministério da Agricultura e Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
À agência, cabe fazer a classificação toxicológica. O Mapa avalia a
eficácia agronômica do produto, e o Ibama faz o estudo de
periculosidade ambiental. Somente após a consolidação das informações
dos três órgãos é dado o parecer final de registro.
Eficiência
A ministra Kátia Abreu (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) afirma
que o serviço público deve evitar a burocracia excessiva e trabalhar
pela eficiência do setor produtivo. Ela diz ainda estar otimista em
relação às medidas de modernização tomadas pela Anvisa.
“Excesso de burocracia não significa cuidado. Cuidado é pedir o
necessário, o que, de fato, será eficaz nesses registros”, assinala a
ministra. “A Anvisa está tentando organizar processos diferenciados e
nós queremos dar todo apoio. Não queremos briga entre órgãos. O que
queremos é eficiência”, completa.
A Anvisa esclarece que a análise toxicológica será realizada conforme a
ordem cronológica de protocolo. Os tipos de processos que possuem
previsão legal para serem priorizados e os que, devido à emergência
fitossanitária (ou outra justificativa técnica), recebam tratamento
prioritário passarão por tratamento diferenciado na agência, mas ainda
assim seguirão o ordenamento cronológico.
Kátia Abreu acrescenta que os agroquímicos são necessários para
garantir a saúde das plantações e não devem ser vistos como um perigo à
sociedade. “O Brasil é a maior agricultura tropical do mundo e a
consequência disso é que, no passado, tínhamos uma praga nova a cada
cinco anos. Atualmente, temos três pragas a cada ano. Isso significa
mais necessidade de agroquímicos”, observa.