Mantega reafirmou que a inflação no Brasil continua dentro do planejado e dentro da margem de tolerância da meta estipulada pelo governo.

"Estamos diante de uma inflação internacional influenciada pelos alimentos, pela alta de produtos metálicos e do petróleo. Ainda assim, temos a inflação menor do que a dos outros países emergentes", disse Mantega.

Segundo a pesquisa semanal do Banco Central com analistas de mercado, divulgada ontem (26), o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que serve como meta de inflação, deve fechar o ano a 5,24%, superior aos 5,12% projetados até a semana passada. Se confirmado, o indicador ficaria acima do centro da meta de inflação para esse ano, que é de 4,5%, com margem de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

Segundo o ministro, se os alimentos fossem retirados, a inflação nos últimos 12 meses não passaria de 3,3%. Ele ressaltou que somente os alimentos subiram 12,6% nos últimos 12 meses.

Mantega avaliou que a tendência é que o preço dos alimentos fique mais baixo. Ele lembrou, no entanto, que a influência de outros fatores, como o petróleo, vem fazendo com que o governo tome medidas para controlar a inflação, como a redução do tributo para gasolina (Cide), para trigo e pão (PIS/Cofins).

"Isso nos leva a tomar medidas para que a inflação não contagie outros setores. Mesmo com grande influência internacional, é sempre bom impedir que ela se difunda", disse.

Desaceleração

Ontem (26), em reunião nesta segunda-feira com empresários na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Mantega admitiu que o Brasil passa por uma "pequena desaceleração" da economia, como parte de um processo de ajuste que deve ser "diferente no segundo semestre".

Segundo o ministro, essa situação obedece ao "forte crescimento" do ano passado, que foi de 5% segundo balanços preliminares e que pode ser mantido neste ano.