A Justiça de Peixoto de Azevedo determinou o fim do bloqueio da BR-163 no trecho entre os municípios de Matupá e Peixoto de Azevedo promovido na terça-feira por produtores de arroz de sete municípios do extremo Norte do Estado. A liminar expedida pela juíza substituta Patrícia Cristiane Moreira impediu ontem a continuidade do protesto e atende à ação cautelar protocolada pelo Frigorífico Matupá. O proprietário da empresa, Milton Belincanta, afirma que na última interdição da rodovia, há cerca de quatro meses, teve prejuízos de R$ 150 mil com o impedimento de escoar a produção.
Conforme um dos coordenadores da manifestação, o rizicultor e vereador por Matupá Valdemar Frigeri, Belincanta havia sido comunicado sobre o protesto e teria apoiado a ação. Contudo, o dono do frigorífico afirma que só soube da mobilização por meio de matérias veiculadas pela mídia e que então decidiu recorrer à Justiça para evitar novos prejuízos. Segundo ele, o custo operacional diário da planta, que abate 500 cabeças de gado/dia, é de R$ 50 mil.
O movimento já ingressou na Justiça com outra ação, reivindicando a validade do bloqueio. As máquinas agrícolas e os 30 mil quilos de arroz utilizados para a interdição ficaram durante todo o dia de ontem na beira da estrada, à espera da nova decisão judicial. Participaram do protesto 150 produtores de Matupá, Guarantã do Norte, Colíder, Novo Mundo, Nova Guarita, Terra Nova do Norte e Peixoto de Azevedo.
Os rizicultores protestam contra a queda no preço do arroz na região, de R$ 26 para R$ 12, em decorrência das perdas na qualidade do produto nesta safra e a consequente queda na classificação de grãos longo-fino da variedade Cirad 141 feita pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O presidente da Conab, Jacinto Ferreira, informa que o assunto foi discutido ontem com técnicos do Mapa, mas nada foi definido.