Segundo ele, o Brasil pode ofertar para terceiros países, fora da UE, cerca de 2 milhões de toneladas de açúcar já no próximo ano, mas a curto prazo, porém, não deve exportar mais para os europeus. Pela proposta européia, a produção subsidiada cairá de 17,4 milhões de toneladas para 14,6 milhões de toneladas. Dessa diferença de 3 milhões de toneladas, só 2 milhões de toneladas são para exportação.

"O que a União Européia vai fazer é reduzir a parcela de açúcar que ela exporta. Sua demanda interna continuará sendo abastecida pela sua produção", afirmou Rodrigues, na abertura da reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Açúcar e do Álcool, cujo um dos principais assuntos é a perspectiva de produção de açúcar e álcool na Região Centro-Sul na safra 2004/05. "A tendência é que o Brasil ganhe os mercados dos terceiros países". A mudança na política européia, segundo ele, merece ser comemorada.

"Os subsídios inibem o acesso do Brasil ao mercado açucareiro de vários países", diz Rodrigues. Ele informa que a União Européia produz cerca de 20 milhões de toneladas de açúcar por ano. Desse total, cerca de 17 milhões de toneladas são produzidas a partir de "subsídios elevadíssimos", informa o ministro.

A reforma do sistema de subsídio ao açúcar europeu, avalia Rodrigues, pode estar relacionada ao painel que o Brasil Austrália e Tailândia movem contra o bloco na Organização Mundial do Comércio (OMC). "Esse é um sinal positivo, que talvez esteja relacionado com o painel. Se o Brasil sair vitorioso, seguramente a decisão a ser tomada pela União Européia será ainda mais radical", afirma Rodrigues. "É um aceno positivo antecipando o resultado do painel". Em agosto de 2003, os três países questionaram os subsídios dados pela União Européia ao açúcar. Brasil, Austrália e Tailândia são os três maiores produtores mundiais e são prejudicados pelo apoio dado pelos europeus. A produção brasileira de açúcar é considerada uma das mais competitivas do mundo. Rodrigues avalia que a proposta da UE significa que haverá algum tipo de compensação com medidas de apoio aos países da África, Caribe e Pacífico, para que eles possam produzir um pouco mais de açúcar.