Liderados pela Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) e pela Federação de Agricultura e Pecuária do Estado (Famato), pecuaristas mato-grossenses pedem apoio do governo estadual para resolver possíveis irregularidades nas balanças de frigoríficos. De acordo com o vice-presidente da Acrimat, Jorge Pires de Miranda, os produtores chegam a perder uma arroba por boi (de 18 arrobas) comercializado por conta da diferença de pesagem. "Esperamos apoio do governo, que também perde em arrecadação", pondera Miranda.
Estimativa feita em 2002 pelo Instituto Mato-grossense de Metrologia e Qualidade Industrial (Immeq) aponta para uma evasão fiscal de cerca de R$ 18 milhões no setor frigorífico, o que representa a não contabilização do abate de cerca de 850 mil cabeças.
De acordo com Miranda, a discordância entre os valores de balanças de frigoríficos e pecuaristas é antiga, contudo, nos últimos tempos essa diferença vem aumentando. "Um pecuarista que vende mil bois perde mil arrobas, o que significa no preço de hoje um prejuízo de R$ 53 mil", exemplifica.
O vice-presidente da Acrimat reconhece que não há provas oficiais de que existam alterações nas balanças dos frigoríficos. Miranda pondera, contudo, que um forte indício é a diferença da pesagem feita na balança dos pecuaristas.
De fato, segundo o Immeq, a fiscalização rotineira do órgão nos frigoríficos em Mato Grosso não verificou alteração de pesagem. Mas, segundo o técnico Metrológico do Immeq, Clodoaldo José Ferreira, a suspeita que paira em todo o setor frigorífico é a da existência de um equipamento instalado dentro da balança que modifica o resultado para menos.
"O que ocorre é que nas nossas fiscalizações não temos autorização para abrir a balança, que é a única forma de verificar se esse equipamento modificador está ou não instalado", pondera o técnico.