O aumento expressivo na presença do bicudo-do-algodoeiro em Mato Grosso acendeu um alerta para os produtores durante a entressafra do algodão. Monitoramento realizado pelo Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt), entre os dias 11 e 17 de outubro, identificou crescimento nas capturas do inseto em armadilhas instaladas em diferentes regiões produtoras do Estado.
O cenário exige o reforço imediato das medidas de controle para evitar que a praga se multiplique e comprometa o desenvolvimento das lavouras na próxima temporada.
O levantamento é realizado pelo IMAmt, instituição ligada à Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), e integra as ações de vigilância fitossanitária durante o intervalo entre os ciclos produtivos.
Considerado uma das principais ameaças à cotonicultura, o bicudo-do-algodoeiro ataca estruturas reprodutivas da planta, especialmente botões florais e maçãs, provocando perdas de produtividade e elevando os custos de produção.
Mesmo durante a entressafra, o inseto pode encontrar condições para sobreviver e se reproduzir, principalmente quando permanecem restos culturais e plantas voluntárias nas propriedades.
Por isso, a Ampa recomenda que os produtores intensifiquem as ações de contenção, com atenção especial à destruição das soqueiras, à eliminação de plantas voluntárias nas bordas dos talhões e ao recolhimento de fardos remanescentes da colheita.
Outra orientação é manter o uso contínuo dos tubos mata-bicudo, equipamentos utilizados como parte da estratégia de redução da população do inseto.
O objetivo é diminuir a presença da praga antes da implantação das novas lavouras, evitando que a população remanescente se transforme em uma ameaça maior no início do próximo ciclo.
Enquanto o trabalho de prevenção avança no campo, as unidades industriais continuam concentradas no beneficiamento do algodão colhido, etapa responsável pela separação da pluma e das sementes.
SOJA AVANÇA E DEFINE A PRÓXIMA SAFRA – A intensificação dos cuidados com o algodão ocorre simultaneamente ao avanço acelerado da semeadura da soja 2026/27, cultura que antecede o plantio de parte expressiva das áreas destinadas ao algodão de segunda safra em Mato Grosso.
Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que, até 16 de outubro, os produtores haviam semeado 51,86% da área prevista para a oleaginosa.
O percentual representa um avanço de 18,58 pontos percentuais em apenas uma semana e supera em 8,28 pontos percentuais o índice registrado no mesmo período da temporada anterior.
Apesar da distribuição irregular das chuvas, a umidade do solo tem permitido a continuidade dos trabalhos na maior parte das regiões produtoras.
O Médio-Norte lidera a semeadura, com 69,32% da área prevista já plantada. Em seguida aparece a região Oeste, com 61,58%.
O ritmo de implantação da soja é considerado importante para o planejamento da segunda safra, uma vez que a conclusão dos trabalhos dentro da janela adequada favorece o calendário agrícola e a organização das áreas que receberão o algodão no início de 2027.
A antecipação ou o atraso da semeadura pode influenciar diretamente o período disponível para o desenvolvimento das culturas seguintes, especialmente em um sistema produtivo que depende do aproveitamento das condições climáticas.
PREVENÇÃO E PLANEJAMENTO – A combinação entre o aumento das capturas do bicudo e o avanço da soja exige atenção dos produtores em duas frentes.
De um lado, é necessário impedir a sobrevivência e a multiplicação da praga durante a entressafra. De outro, o planejamento da próxima temporada depende do andamento da soja, da regularidade das chuvas e da organização das operações agrícolas.
O monitoramento realizado pelo IMAmt funciona como instrumento de alerta, permitindo identificar o comportamento da população do inseto e orientar medidas preventivas nas propriedades.
A recomendação é que os cuidados sejam mantidos mesmo nas áreas onde a colheita já terminou, evitando que plantas remanescentes e resíduos da produção favoreçam a permanência do bicudo.
Com mais da metade da soja semeada e o beneficiamento do algodão em andamento, Mato Grosso atravessa uma etapa decisiva de transição entre os ciclos agrícolas.
Nesse período, o controle fitossanitário e o cumprimento do calendário de plantio serão fundamentais para reduzir riscos e preparar as lavouras para a próxima safra de algodão.