As exportações de DDG, coproduto do milho utilizado principalmente na alimentação animal, cresceram 35,01% em Mato Grosso entre janeiro e setembro de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. O avanço foi impulsionado principalmente pela China, que abriu seu mercado ao produto mato-grossense em fevereiro e, em poucos meses, tornou-se o principal destino das vendas externas.
Dados compilados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que o Estado exportou 754,88 mil toneladas de DDG nos primeiros nove meses deste ano. O volume já supera as 704,66 mil toneladas embarcadas durante todo o ano de 2025, estabelecendo um novo patamar para a comercialização internacional do coproduto.
A diferença representa 50,22 mil toneladas a mais do que o total exportado no ano passado, mesmo faltando três meses para o encerramento de 2026.
O resultado reforça a importância crescente do DDG para a agroindústria de Mato Grosso, que amplia o aproveitamento econômico do milho processado nas usinas de etanol e diversifica as receitas obtidas a partir da produção agrícola.
O DDG, sigla em inglês para Dried Distillers Grains (grãos secos de destilaria), é obtido durante o processamento do milho para a fabricação de etanol. Rico em nutrientes, especialmente proteínas, o produto é utilizado na formulação de rações destinadas à alimentação animal.
A expansão das exportações representa uma alternativa comercial para a indústria estadual, que encontra no mercado externo compradores para um produto associado à cadeia de biocombustíveis.
CHINA LIDERA COMPRAS — O desempenho de setembro evidencia a importância do mercado chinês para o crescimento das exportações.
No mês, Mato Grosso embarcou 130,65 mil toneladas de DDG, volume superior ao dobro do registrado em agosto e o segundo maior resultado mensal de toda a série histórica acompanhada pelo Imea.
Desse total, 114,41 mil toneladas tiveram a China como destino, o equivalente a 87,64% das exportações estaduais de DDG no período.
Foi o maior volume mensal adquirido pelo país asiático desde a abertura de seu mercado ao produto mato-grossense, em fevereiro deste ano.
A concentração dos embarques mostra a velocidade com que a China passou a ocupar uma posição estratégica na comercialização do coproduto.
No acumulado de janeiro a setembro, os chineses responderam por 63,54% de todo o DDG exportado por Mato Grosso, consolidando-se como o principal mercado consumidor do produto estadual.
Segundo o analista de agroindústria do Imea, Juan Porto, a expansão chama a atenção porque ocorre em um momento em que a China vem reduzindo sua participação nas compras de milho em grão produzido em Mato Grosso.
O movimento reflete mudanças nas necessidades de abastecimento do país asiático, que tem ampliado a produção doméstica de milho, mas passou a adquirir volumes expressivos de DDG no mercado internacional.
“Nos últimos anos, a China tem tido safras de milho excelentes, o que reduziu essa necessidade de importação deles. Então, hoje, apesar de não ocuparem uma posição de destaque no consumo do milho em grão de Mato Grosso, eles vêm ganhando bastante relevância nas importações de DDG”, explica Juan.
RECORDE EM SETEMBRO — O crescimento das vendas externas ganhou força ao longo de 2026, acompanhando a consolidação das relações comerciais com os compradores chineses.
De acordo com o Imea, o volume embarcado para a China vem alcançando novos patamares mensais desde a abertura do mercado.
Em setembro, a demanda chinesa foi determinante para que Mato Grosso registrasse o segundo maior volume mensal de exportações de DDG de sua série histórica.
“No mês de setembro, Mato Grosso exportou pouco mais de 130 mil toneladas de DDG, sendo o segundo maior volume mensal de toda a série histórica e também mais que o dobro do que a gente viu no mês de agosto”, afirma o analista.
A participação chinesa, próxima de 88% dos embarques de setembro, demonstra a importância do novo comprador para o desempenho recente da agroindústria mato-grossense.
Ao mesmo tempo, a elevada concentração em um único destino evidencia a relevância de acompanhar a evolução da demanda internacional e as condições de acesso ao mercado asiático.
VALORIZAÇÃO DO MILHO — A expansão das exportações de DDG também amplia as possibilidades de comercialização dos produtos derivados do processamento industrial do milho.
Mato Grosso possui uma cadeia de produção de etanol de milho em expansão, na qual a fabricação de biocombustíveis está associada à obtenção de coprodutos destinados à nutrição animal.
Nesse sistema, o aproveitamento dos grãos não se limita à produção de combustível. Parte dos componentes do milho é transformada em ingredientes utilizados na alimentação de bovinos, suínos, aves e outros animais.
O crescimento das vendas internacionais de DDG fortalece essa integração entre agricultura, indústria de biocombustíveis e pecuária.
Para o Imea, o aumento dos embarques é positivo porque amplia as alternativas de comercialização da agroindústria estadual e permite alcançar novos mercados consumidores.
O desempenho também demonstra uma mudança na relação comercial com a China. Embora o país asiático tenha reduzido sua necessidade de importar milho em grão de Mato Grosso, sua demanda pelo coproduto industrializado ganhou relevância ao longo deste ano.
Com o volume exportado até setembro já superior ao total de 2025, o setor encerra os primeiros nove meses de 2026 com perspectivas de estabelecer um novo recorde anual.
A continuidade desse desempenho dependerá, entre outros fatores, do ritmo das compras chinesas e da capacidade de Mato Grosso de manter o fornecimento ao mercado internacional.
O avanço do DDG confirma que a industrialização do milho abre novas oportunidades comerciais para o agronegócio mato-grossense, permitindo que o Estado amplie suas exportações para além da venda tradicional de grãos.