Com um rebanho de 31,12 milhões de bovinos, Mato Grosso mantém sua posição de destaque na pecuária brasileira, mas a força da produção animal no Estado vai muito além da criação de gado. Suinocultura, avicultura, piscicultura e ovinocultura compõem uma cadeia produtiva diversificada, que movimenta a economia, gera empregos e amplia as oportunidades de comercialização nos mercados interno e externo.
No Dia Nacional da Pecuária, celebrado em 14 de outubro, o Sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Sistema Famato) destacou a importância dessas atividades para o desenvolvimento econômico estadual e o potencial de expansão da produção de alimentos de origem animal.
Segundo dados do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea), o rebanho bovino estadual alcançou 31,12 milhões de cabeças em maio de 2026, mantendo Mato Grosso na liderança nacional.
A bovinocultura movimenta uma extensa cadeia econômica, que começa nas propriedades rurais e envolve fornecedores de insumos, transportadoras, frigoríficos, indústrias e estabelecimentos comerciais.
Além de abastecer o mercado brasileiro, a carne produzida no Estado tem presença importante no comércio internacional, com a China entre os principais destinos.
Para o coordenador da Comissão de Pecuária da Famato, Amarildo Merotti, a liderança na criação de bovinos deve ser acompanhada de políticas e investimentos capazes de fortalecer os demais segmentos da produção animal.
“Nosso estado possui o maior rebanho bovino do país. É uma atividade produtiva que movimenta a economia, gera empregos e contribui para o abastecimento de mercados”, afirma.
Segundo ele, a diversificação também representa uma oportunidade para ampliar a competitividade do setor agropecuário.
“Ao mesmo tempo, o estado conta com outras atividades importantes, como a suinocultura, a avicultura, a piscicultura e a ovinocultura, cada uma com suas características, mercados e desafios”, acrescenta.
SUINOCULTURA – A criação de suínos é uma das atividades que mais se beneficiam da disponibilidade de grãos em Mato Grosso.
Em 2024, o Estado produziu 258,89 mil toneladas de carne suína, segundo relatório da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), elaborado com informações do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e de outras fontes oficiais.
Mais da metade desse volume foi destinada a outras unidades da Federação, demonstrando a importância da atividade no abastecimento do mercado nacional.
A produção envolve criadores, fornecedores de ração, transportadoras e agroindústrias, formando uma cadeia que transforma parte da produção agrícola em alimentos de maior valor agregado.
A oferta de milho e soja, principais ingredientes utilizados na alimentação dos animais, representa uma vantagem competitiva para os produtores mato-grossenses.
Além de atender ao consumo interno, a suinocultura também participa das exportações brasileiras de proteína animal.
PISCICULTURA – Na produção de peixes de cultivo, Mato Grosso ocupou a sétima posição no ranking nacional em 2025.
O destaque está nas espécies nativas, que representam a maior parcela da produção estadual e encontram condições favoráveis de criação em diferentes regiões.
Entre os peixes cultivados estão o tambaqui, o pintado e a tambatinga, espécies com presença no mercado regional e em outros centros consumidores.
A tilápia também vem ampliando sua participação, contribuindo para diversificar a oferta e abrir novas possibilidades de comercialização.
A atividade apresenta potencial de crescimento, especialmente com investimentos em processamento, armazenamento, logística e estrutura de comercialização.
AVICULTURA – A produção de carne de frango também mantém trajetória de expansão em Mato Grosso.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam crescimento da atividade em 2024, seguido de novo avanço em 2025.
O desempenho está associado a uma cadeia produtiva que reúne genética, nutrição animal, controle sanitário, criação e processamento industrial.
Assim como na suinocultura, a proximidade das regiões produtoras de milho e soja favorece o abastecimento das granjas e contribui para a competitividade do setor.
O crescimento da avicultura também amplia a demanda por serviços especializados e fortalece a integração entre agricultura e indústria de alimentos.
OVINOCULTURA – Diferentemente dos demais segmentos, a criação de ovinos enfrenta um cenário de retração.
Segundo levantamento do Imea, o rebanho estadual diminuiu nos últimos anos, embora a atividade continue presente em diferentes regiões de Mato Grosso.
A redução evidencia dificuldades específicas de produção e comercialização, além da necessidade de ampliar a organização da cadeia e criar condições para seu fortalecimento.
Para a Famato, a diversidade da pecuária exige estratégias que considerem as particularidades de cada atividade, desde as grandes cadeias exportadoras até os segmentos de menor escala.
VALOR AGREGADO – Um dos principais fatores que favorecem a expansão da produção animal em Mato Grosso é a possibilidade de utilizar matérias-primas produzidas dentro do próprio Estado.
Milho, soja, farelo de algodão e coprodutos industriais, como o DDG, obtido na fabricação de etanol de milho, podem ser empregados na formulação de rações para diferentes espécies.
Essa integração permite transformar proteína vegetal em proteína animal, ampliando o aproveitamento econômico da produção agrícola.
Para o assessor técnico de Pecuária da Famato, Marcos Carvalho, o processo representa uma oportunidade de agregar valor aos grãos e fortalecer a economia estadual.
“Temos um grande potencial para transformar o que produzimos no campo em alimentos de origem animal, aproveitando matérias-primas disponíveis no próprio estado”, explica.
Segundo ele, essa conversão amplia as possibilidades de geração de renda e fortalece a presença de Mato Grosso no mercado de alimentos.
“Essa conversão de proteína vegetal em proteína animal agrega valor à produção agrícola, gera oportunidades de renda e fortalece a presença de Mato Grosso no mercado de alimentos”, afirma.
A expansão das indústrias de etanol de milho também contribui para esse movimento, ao ampliar a disponibilidade de coprodutos destinados à nutrição animal.
O resultado é uma integração crescente entre lavouras, usinas, propriedades pecuárias e agroindústrias, que pode reduzir a dependência da comercialização de matérias-primas sem processamento.
DESAFIOS E OPORTUNIDADES – Apesar das vantagens produtivas, o desenvolvimento da pecuária mato-grossense depende de fatores como infraestrutura logística, sanidade animal, acesso a mercados, investimentos industriais e estabilidade dos custos de produção.
As necessidades variam entre os segmentos, mas a ampliação do processamento e da comercialização dentro do Estado aparece como uma oportunidade comum.
Para o Sistema Famato, fortalecer a diversidade da produção animal significa aproveitar melhor a capacidade agrícola de Mato Grosso e ampliar a geração de riqueza no interior.
Com o maior rebanho bovino do Brasil e cadeias produtivas que incluem suínos, aves, peixes e ovinos, o Estado reúne condições para avançar na industrialização de alimentos e diversificar sua presença nos mercados consumidores.
Mais do que produzir grãos e criar animais, o desafio é ampliar a transformação dessas matérias-primas em produtos de maior valor agregado, mantendo a competitividade e criando novas oportunidades para os produtores rurais.