Berço histórico da pecuária mato-grossense, Cáceres segue consolidado como uma das principais potências da bovinocultura brasileira. Levantamento divulgado no Beef Report, anuário da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), mostra que o município ampliou seu rebanho bovino em 61,9% nas últimas duas décadas, passando de 699.059 cabeças, em 2005, para 1.131.933 animais em 2025.
Com esse desempenho, Cáceres mantém o posto de maior rebanho bovino de Mato Grosso e ocupa a quinta posição no ranking nacional, reforçando a importância do Estado como principal polo pecuário do país.
A tradição da atividade no município remonta ao século XVIII, durante o processo de ocupação da fronteira oeste da então Capitania de Mato Grosso. Desde então, a pecuária encontrou nas áreas de campos naturais do Pantanal condições favoráveis para seu desenvolvimento, com abundância de água, relevo plano e extensas áreas de pastagens naturais.
Hoje, além da tradição, o crescimento da atividade é impulsionado por investimentos em tecnologia, melhoramento genético, nutrição animal, manejo de pastagens e sanidade, fatores que elevaram a produtividade e fortaleceram a competitividade da carne produzida na região.
O levantamento da Abiec confirma a força da pecuária mato-grossense no cenário nacional.
Dos 10 maiores municípios produtores de bovinos do Brasil, três estão em Mato Grosso.
Além de Cáceres, destacam-se Vila Bela da Santíssima Trindade, que possui 979.665 cabeças, e Colniza, com 714.951 animais.
Entre eles, Colniza apresentou o maior crescimento proporcional nas últimas duas décadas. O rebanho praticamente dobrou, saltando de 320.039 cabeças, em 2005, para 714.951, em 2025, expansão de 123,3%.
Já Vila Bela da Santíssima Trindade registrou crescimento de 31,3%, passando de 745.765 para 979.665 bovinos no mesmo período.
Segundo especialistas, os números mostram que a expansão da bovinocultura ocorreu de forma descentralizada, alcançando diferentes regiões do Estado e acompanhando a profissionalização da atividade.
Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, o crescimento do rebanho reflete não apenas a expansão da atividade, mas também o aumento da eficiência produtiva da pecuária estadual.
"O crescimento do rebanho ao longo das últimas duas décadas demonstra a capacidade de expansão do setor aliada ao aumento da eficiência produtiva. Isso fortalece toda a cadeia da carne, gera empregos e amplia a competitividade da indústria de Mato Grosso nos mercados nacional e internacional", afirma.
Segundo ele, os investimentos em genética, recuperação de pastagens, suplementação alimentar e sistemas mais modernos de produção permitiram aumentar a produtividade sem depender exclusivamente da abertura de novas áreas.
A liderança de Cáceres ocorre em um momento de forte expansão da pecuária mato-grossense.
O Estado possui atualmente o maior rebanho bovino do Brasil, com mais de 34 milhões de cabeças, lidera as exportações nacionais de carne bovina e registrou recorde de abates no primeiro semestre de 2026.
Além da produção de animais, a cadeia movimenta frigoríficos, transportadoras, indústrias de insumos, comércio e prestação de serviços, consolidando-se como um dos principais motores da economia estadual.
Com tradição secular, crescimento contínuo do rebanho e investimentos crescentes em tecnologia, Cáceres mantém seu protagonismo como um dos maiores centros pecuários do país e símbolo da força da bovinocultura de Mato Grosso.