Graças a produção de soja e milho, Sorriso, em Mato Grosso, justificou a alcunha de “capital brasileira do agronegócio” e manteve a liderança entre as cidades com maior valor de produção agrícola do país em 2020, segundo dados da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) publicada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em Sorriso, a receita atingiu R$ 5,3 bilhões, 35,5% mais que em 2019 e 1,1% do montante recorde nacional de R$ 470,5 bilhões, que aumentou 30,4%.

Depois de ultrapassar São Paulo como Estado com maior valor de produção agrícola em 2019, Mato Grosso, liderado por Sorriso e Sapezal ampliou sua liderança no ano passado, segundo a PAM.

Em Mato Grosso, o montante atingiu R$ 79,209 bilhões, crescimento de 35,7% frente a 2019. O valor é mais de R$ 11 bilhões superior ao registrado por São Paulo, que atingiu R$ 68,013 bilhões - ou 22,4% a mais que em 2019. Sozinho, Mato Grosso respondeu por 16,8% dos R$ 470,5 bilhões do valor da produção brasileira em 2020, ante fatia de 14,5% de São Paulo. Mato Grosso lidera a produção de soja, milho e algodão do país, enquanto São Paulo encabeça o cultivo de cana e laranja.

Os dados da PAM mostram uma concentração do valor gerado pela agricultura no país. Os 50 municípios com os maiores valores de produção agrícola concentraram quase um quarto - 22,7%, ou R$ 106,9 bilhões - do total em 2020. Desses 50, 20 foram de Mato Grosso, seis da Bahia e seis de Mato Grosso do Sul.

CIDADES - São Desidério (BA), forte em soja e algodão, ultrapassou Sapezal (MT) e sua crescente colheita de grãos e fibras e ficou em segundo lugar no ranking municipal, com R$ 4,6 bilhões, aumento de 44,6% ante 2019. Em Sapezal, o valor ficou em R$ 4,3 bilhões, alta de 26,9%. Na dança das cadeiras entre os dez melhores colocados, Formosa do Rio Preto (BA) e Maracaju (MS) entraram no ranking em 2020, e Jataí (GO) e Diamantino (MT) saíram.

A quarta cidade brasileira com maior valor de produção agrícola foi Campo Novo do Parecis (MT), com R$ 3,79 bilhões, seguida por Formosa do Rio Preto (BA), com R$ 3,74 bilhões, Nova Ubiratã (MT), com R$ 3,47 bilhões, Cristalina (GO), com R$ 3,44 bilhões, e Maracaju (MS), com R$ 3,37 bilhões. Também fazem parte do ranking das “10 mais” Rio Verde (GO) com R$ 3,32 bilhões, e Nova Mutum (MT), com R$ 3,22 bilhões.

Em geral, o bom desempenho da agricultura em 2020 levou o Brasil a registrar três novos recordes na série da PAM, que começou em 1974: além do valor da produção, área plantada e volume produzido de grãos também foram os maiores da história.

Os dados divulgados ontem pelo IBGE mostram que a área de cultivo atingiu 83,4 milhões de hectares (2,7% mais que em 2019), e que a colheita de cereais, leguminosas e oleaginosas chegou a 255,4 milhões de toneladas (+5%).

Segundo o IBGE, os recordes foram resultado da combinação entre clima favorável - sobretudo no primeiro semestre, e exceto no Rio Grande do Sul - e preços elevados, sustentados pela valorização do dólar frente ao real e pelo crescimento da demanda do mercado internacional, mesmo em meio à pandemia do novo coronavírus.

Além disso, a pesquisa realça a influência dos bons resultados alcançados nas safras anteriores pelos produtores para a ampliação das áreas plantadas de soja, milho, algodão, mandioca e feijão. As margens positivas também abriram espaço para o aumento dos investimentos nas plantações.

“Dois itens formaram receita perfeita para a safra de 2020, que foram o clima favorável e preços elevados. Mas adicionaria mais um item, que foi a capitalização dos produtores”, disse o supervisor da PAM 2020, Winicius de Lima Wagner, em entrevista a jornalistas. Com as adversidades climáticas registradas este ano e a recente queda das cotações dos grãos, dificilmente a PAM 2021 trará uma nova combinação de recordes.

Conforme o IBGE, os resultados poderiam ter sido ainda melhores se não fosse a estiagem severa no início de 2020 em boa parte do Rio Grande do Sul, que derrubou a produtividade das lavouras de soja e milho, entre outras, no Estado.

A soja foi a cultura que mais contribuiu para a safra 2020, com produção de 121,8 milhões de toneladas. A oleaginosa gerou, sozinha, R$ 169,1 bilhões, 35% acima do valor de 2019. Assim, o grão respondeu, no ano passado, por mais de um terço (35,9%) do valor da produção agrícola nacional. Na primeira metade da década de 1990, a cultura era a terceira no ranking brasileiro. Pela primeira vez desde 2008, o milho superou a cana-de-açúcar e conquistou a segunda posição no ranking de valor de produção agrícola, com R$ 73,949 bilhões, uma alta de 55,4% ante 2019. A produção de milho cresceu 2,8% e atingiu o recorde de 104,0 milhões de toneladas. Já o valor de produção de cana ficou em R$ 60,8 bilhões.

Com isso, o cereal respondeu por 15,7% da receita total. A produção de milho cresceu 2,8%, para o recorde de 104 milhões de toneladas, com área plantada 4,2% maior. O valor da produção agrícola da cana ficou em R$ 60,8 bilhões, ou 12,9% do total.

O Brasil lidera a produção mundial de soja, cana e café; no ranking do milho, está em terceiro.