A pecuária mato-grossense abriu o ano com o menor volume de bovinos abatidos dos últimos 16 trimestres, somando de janeiro a março pouco mais de 1.027 animais, segundo pesquisa Pesquisas Trimestrais do Abate de Animais, do Leite e do Couro e Produção de Ovos de Galinha do IBGE. Somente na comparação anual, com o mesmo momento do ano passado, os abates encolheram 16,9%, saindo de um total de 1.236 cabeças. De um período ao outro, o Estado foi o que mais perdeu ritmo, deixando de enviar aos frigoríficos cerca de 209 mil cabeças.

Mesmo com a retração e registrando o pior primeiro trimestre desde 2017, Mato Grosso é o estado que mais abate bovinos no País, como confirma a pesquisa do IBGE. No ranking, o Estado participa com 15,7% do total nacional, seguido por Mato Grosso do Sul (11,7%) e São Paulo (10,2%). Mato Grosso detém o maior rebanho de bovinos do Brasil, com cerca de 30 milhões de cabeças.

No primeiro trimestre de 2021 foram abatidos, no País, 6,56 milhões de cabeças de bovinos, valor 10,6% inferior em relação ao mesmo momento do ano passado e 10,9% abaixo do registrado no trimestre imediatamente anterior. Esse resultado não atingia níveis tão baixos desde o primeiro trimestre de 2009.

Entre os meses, janeiro apresentou o menor abate do trimestre (2,12 milhões de cabeças, 14% abaixo de janeiro de 2020), enquanto março teve o melhor desempenho (2,27 milhões, 8,5% abaixo de março de 2020).

A retenção de fêmeas observada em 2020 continuou nesse início de ano. O total de fêmeas abatidas (2,41 milhões de animais) foi o menor para um primeiro trimestre, desde 2003.

O abate de 774,92 mil cabeças de bovinos a menos no período analisado foi impulsionado por reduções em 23 das 27 Unidades da Federação. Entre aquelas com participação acima de 1%, as reduções mais significativas ocorreram em: Mato Grosso (-208,92 mil cabeças), Rondônia (-131,09 mil), São Paulo (-71,45 mil), Mato Grosso do Sul (-68,17 mil), Paraná (-46,22 mil), Minas Gerais (-44,70 mil), Bahia (-40,25 mil), Maranhão (-27,21 mil) e Acre (-24,64 mil). Em contrapartida, as maiores variações positivas ocorreram em: Goiás (+25,13 mil) e Santa Catarina (+7,06 mil).

A região Centro-Oeste apresentou a maior proporção de abate de bovinos no período, 37,3% do total, seguida pelas Regiões Norte (21,2%), Sudeste (20,8%), Sul (13,0%) e Nordeste (7,7%).

EXPORTAÇÕES – O IBGE destaca ainda que Mato Grosso manteve a liderança no ranking de estados exportadores ao enviar 78,41 mil toneladas de carne bovina ao exterior, tendo como principais destinos, em termos de volume exportado: China (54,1%), Hong Kong (9,9%) e Chile (5,9%). São Paulo e Goiás seguiram na segunda e terceira posições, exportando, respectivamente, 65,64 mil toneladas e 50,49 mil toneladas de carne.

Em comparação com o primeiro trimestre de 2020, considerando os Estados com participação acima de 1% nas exportações nacionais, as variações positivas mais expressivas ocorreram em Goiás (+5,7 mil toneladas) e Rio Grande do Sul (+2,54 mil toneladas). Em contrapartida, as maiores retrações ocorreram em Rondônia (-13,03 mil toneladas) e Paraná (-2,2 mil toneladas)

A China manteve-se como o principal destino do produto no mercado internacional, absorvendo 54,5% das exportações brasileiras. O total de 187,15 mil toneladas foi proporcional a um incremento de 31,3% em relação ao período equivalente de 2020. O aumento da participação chinesa, na lista de destinos da carne brasileira, vem crescendo ao longo dos últimos anos, fato influenciado pela incidência da Peste Suína Africana em meados de 2018 que reduziu seu plantel de suínos e elevou a demanda por proteínas diversas.