Até lá, mesmo com trabalhos incipientes, há grande ansiedade pelo desenrolar da safra, já que o atual ciclo teve a semeadura mais atrasada de toda história do cereal em Mato Grosso. A colheita do milho 2021 começou de forma pontual em Mato Grosso. Os trabalhos ainda não foram tabulados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), mas a expectativa é que as colheitadeiras imprimam ritmo no campo somente a partir da segunda quinzena de junho. Até lá, mesmo com trabalhos incipientes, há grande ansiedade pelo desenrolar da safra, já que o atual ciclo teve a semeadura mais atrasada de toda história do cereal em Mato Grosso.

Como explicam os analistas do Imea, esse atraso, histórico, fez com que alguns estádios fenológicos – diferentes períodos de desenvolvimento - importantes para definição produtiva do cereal fossem “empurrados” para semanas em que a chuva no Estado, historicamente, apresenta menores volumes. Sendo assim, considerando um ciclo médio de 120 dias para o milho em Mato Grosso, estima-se que cerca de 80% das áreas estejam entre as fases de florescimento e de enchimento de grão.

Entretanto, a atenção se volta aos 20% que ainda não atingiram os estádios acima, já que essas áreas ficam mais propícias a serem impactadas pelo baixo nível de umidade no solo.

Cabe destacar que, algumas áreas pontuais em determinadas regiões já iniciaram colheita em MT, com expectativas de boa produtividade entre as primeiras áreas. Contudo, é esperado que a colheita ganhe volume em meados da segunda quinzena de junho no Estado.

A SAFRA – No começo desse mês o Imea publicou mais um levantamento sobre as estimativas do milho safrinha em Mato Grosso. Os dados se referem ao contexto de produção estadual no mês de abril e confirmaram, mais uma vez, superfície recorde ao cereal, mas também perdas de produção e produtividade e decorrência do atraso no plantio e o consequente plantio para além da ‘janela ideial’.

A área de milho no Estado foi mantida em 5,69 milhões de hectares, avanço de 4,94% em relação à safra passada, pautada pelos preços atrativos e a forte demanda pelo cereal – considerada a maior área da série histórica do Instituto.

Em relação ao rendimento, com a postergação da semeadura resultando no alto índice de lavouras fora da ‘janela ideal’, a produtividade esperada em Mato Grosso é uma preocupação para o mercado. “A falta de chuva prevista para o mês de maio e o déficit hídrico em algumas regiões do Estado, poderão refletir em perdas de rendimento principalmente as áreas mais tardias, que ainda necessitam volumes de chuvas significativos para desenvolver todo o seu potencial produtivo”, avaliam os analistas do Imea.

Por esse motivo, completam, a produtividade aguardada em Mato Grosso foi revisada para 101,42 sc/ha, queda de 1,06% ante ao último relatório e 6,97% atrás da safra anterior.

Entre as regiões do Estado, a oeste e a sudeste tiveram os maiores índices de reduções neste levantamento, variações de -2,44% e -1,97%, respectivamente.

Com a manutenção da área recorde e a alteração na produtividade esperada para o Estado, a produção do cereal passa a ser estimada em 34,60 milhões de toneladas, redução de 2,38% em relação à safra 2019/20.