O fungo Phakopsora pachirhizi, que causa a ferrugem, foi registrado pela primeira vez em 1902, no Oriente. A partir dos anos 2000, começou a se disseminar de forma mais severa pelo território americano, atingindo o Brasil. Em nosso país, as perdas causadas podem chegar até a 90% da lavoura sem os cuidados adequados. Considerando que a expectativa é a produção de soja este ano superar 132 milhões de toneladas, as perdas seriam catastróficas.

Em razão do impacto econômico, a ferrugem asiática tem despertado constante atenção do mercado. Afinal, além das perdas produtivas, a doença provoca elevação substancial no custo do manejo. Por ano, mais de 914 milhões de hectares de soja são tratados com defensivos. E a ferrugem é o principal alvo. O dado é do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg).

"Inicialmente, a doença causa pontuações de cor escura. Após penetrar no tecido vegetal da planta, o fungo Phakopsora pachyrhizi forma suas estruturas reprodutivas na parte interior da folha. Essas estruturas, em tons de marrom, expelem esporos que, por sua vez, serão disseminados na planta, causando o agravamento do quadro e comprometendo o seu desenvolvimento", detalha Zanotto.

Depois desse imenso desafio, ressalta o especialista, as folhas de soja infectadas rapidamente ficam amareladas (ou com tons semelhantes ao da ferrugem: daí o nome da doença). Com a queda prematura dessas folhas, os grãos ficam menores e não se tornam maduros. Em alguns casos, pode haver aborto e queda das vagens em período de formação – essa situação, mais grave, pode causar a perda total da produção.

"A ferrugem asiática exige tratamento especial. Além do vazio sanitário – por períodos de 60 a 90 dias – para evitar sua transmissão, o uso de fungicidas realmente eficazes é recomendado para o manejo inteligente do problema", destaca Zanotto.