Básicos na alimentação humana e animal, esses grãos continuaram a subir na bolsa de Chicago em abril, e não há no radar sinais de que queda. Embalados pelo aumento das apostas dos investidores em ativos de risco, pela piora das relações entre oferta e demanda (que segue aquecida na pandemia, sobretudo na China) e por incertezas climáticas nos EUA e no Brasil, que lideram as exportações, a expectativa é que as cotações até subam um pouco mais antes de cair — o que poderá acontecer no início do segundo semestre, com a entrada no mercado da colheita da próxima safra americana (2021/22).

Cálculos do Valor Data baseados nos contratos futuros de segunda posição de entrega mostram que abril foi o 11 mês consecutivo de altas de milho e soja em Chicago. No caso do milho, os papéis subiram 23%% no mês e alcançaram uma média (US$ 5,9377 por bushel), 10,5% maior que a de março e 81,2% superior a de abril do ano passado. É a maior média desde maio de 2013, mas ainda ficou 26,6% abaixo da máxima histórica de agosto de 2012 (US$ 8,0858).

No caso de soja, a alta dos contratos foi de 7,5% ao longo do mês passado, e a média mensal atingiu US$ 14,4938 por bushel — com avanços de 3% ante março, de 70,3% em relação a abril de 2020 e maior nível desde abril de 2014. Segundo o Valor Data, ante a máxima histórica de setembro de 2012 (US$ 16,7596 por bushel), o valor foi 13,5% menor.

Se do ponto de vista financeiro a liquidez dos mercados continua a favorecer investimentos nos futuros de grãos, do lado dos fundamentos as relações mais apertadas entre ofertas e demandas globais justificam as apostas dos fundos.

No tabuleiro do milho, os dados mais recentes do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) mostram que os estoques finais mundiais nesta safra 2020/21 (283,85 milhões de toneladas) representam 24,6% da demanda total (1,156 bilhão de toneladas), enquanto em 2019/20 o percentual foi de 26,7% e em 2018/19, de 28%. Já na soja os estoques finais mundiais estimados pelo USDA (86,87 milhões de toneladas) representam 23,5% da demanda total (369,55 milhões de toneladas) em 2020/21, ante 27% em 2109/20 e 33,3% no ciclo 2018/19.

Para ambos os grãos haverá aumentos de áreas plantadas nos EUA na próxima temporada (2021/22), mas as últimas estimativas do USDA ficaram aquém do que esperavam os analistas diante dos elevados preços atuais. A depender das projeções para a demanda, que poderá se fortalecer conforme a vacinação contra a covid-19 avança no mundo, a fase de cotações nas alturas poderá se prolongar — beneficiando exportadores (os brasileiros ainda têm o câmbio ao seu lado) e mantendo a pressão inflacionária.

As informações são do Valor Econômico.