E a variação segue. Os primeiros levantamentos de abril revelam mais altas. Até a primeira metade desse mês, o preço médio do quilo da carne já estava em R$ 36,30 ante R$ 36,13 de março.

Menor oferta de animais prontos ao abate, alta de custos na pecuária, taxa de câmbio que favorece as exportações e o efeito climático – seca prolongada – são fatores que explicam a elevação dos preços, em especial, no último ano. A arroba do boi gordo registra elevação de quase 72% no período, saindo de cerca de R$ 171 para R$ 294.

Dados apurados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), mostram que em março todos os 16 cortes de bovinos - filé mignon, contra filé, picanha, alcatra, coxão mole, coxão duro, patinho, acém, músculo, costela, fraldinha, lagarto, maminha, cupim, capa de filé e paleta - pesquisados tiveram elevação anual, sendo as maiores delas observadas no coxão duro, 37,89%, com o quilo médio passando de R$ 24,50 em março do ano passado para R$ 33,79% no mês passado. Outra alta significativa do relatório do Imea foi a da capa de filé, variação de 34,35% com as médias passando de R$ 21,92 para R$ 29,44. O acém também registrou alta sobre o quilo do corte, 33,23%, passando de R$ 18,34 para R$ 24,44 em um ano.

A capa de filé revela alta mensal de 4,12% na passagem de fevereiro para março, a maior variação da comparação mensal do Imea. Já a alcatra teve a segunda maior alta, 3,37%, com o quilo custando em média R$ 43,82.

O corte que menos variou no ano, mas ainda assim traz percentual considerável ao orçamento das famílias cuiabanas, foi o filé mignon (+8,11%), com preço médio por quilo passando de R$ 49,78 para R$ 53,82%.

O corte de carne mais caro segue sendo a picanha, cuja alta anual acumula variação de 24,20%, custando R$ 59,84 em março ante média de R$ 48,18 em igual mês de 2020.

O levantamento do Imea, que já revela tendência de novas altas sobre os cortes bovinos para abril, mostra que até a primeira metade do mês que dos 16 cortes avaliados, apenas o lagarto registra queda mensal, de 0,33%.

MERCADO – Em relação à taxa de câmbio, a atividade é duplamente afetada. Primeiro porque o dólar favorece as exportações – em especial os envios de toneladas à China, atualmente um forte importador da carne brasileira - e assim, há uma pressão natural no mercado interno. Depois, a desvalorização cambial aumenta os custos da pecuária, pois torna os insumos mais caros em real.

Desde 2020, há uma menor oferta de gado pronto para o abate, ano que refletiu de fato a escassez de animais, após um movimento forte de abate de fêmeas em anos anteriores. Sem a vaca não existe o bezerro, e sem bezerro não há boi gordo para abate. E esse ciclo leva pelo menos 36 meses para se completar.

Com relação ao clima, Mato Grosso em especial, sofreu com as queimadas da última temporada de estiagem e com isso o pasto também se perdeu, obrigando os criadores a suplementarem as dietas dos animais, o que implica na aquisição de insumos, produtos estes valorizados pela subida do dólar.

Ainda em relação aos preços, conforme a consultoria Safras & Mercados, o quadro inédito de escassez de oferta de animais sustenta o movimento de alta no curto prazo. “Descapitalizados, os consumidores devem migrar para outras carnes, como a de frango”.