Conforme o relatório divulgado, as projeções de área de milho apresentaram leve redução em relação à estimativa anterior, justificada pela conjuntura atual de atraso no processo de colheita da soja devido ao grande volume de chuva em boa parte do Estado, que consequentemente diminui a disponibilidade de área para semeadura do cereal e também estreita a janela ideal de cultivo do milho. Quase 50% da área plantada com o cereal estarão fora do momento considerado o melhor para o desenvolvimento das plantas, ou seja, dentro do período das chuvas.

Considerando o contexto, o Imea reduziu as projeções de aumento de área em 0,08% em relação ao último acompanhamento, totalizando 5,68 milhões de hectares. Por fim, devido à semeadura ainda não ter encerrado, o Imea manterá a estimativa de produtividade em 106,29 sc/ha, o que resulta em uma produção estimada de 36,26 milhões de toneladas para Mato Grosso.

Já a produtividade esperada para a temporada foi mantida e encontra-se estimada 106,29 sc/ha, redução de 2,51% em relação à safra passada. Assim, com o ajuste na área e manutenção da produtividade, a safa 2020/21 de milho passa a ser projetada em 36,27 milhões de toneladas.

“O atraso na semeadura da soja no ano passado e na colheita deste ano estão influenciando a implantação do milho. Além disso, os altos volumes de chuva neste momento prejudicam os trabalhos a campo, retardando ainda mais a semeadura do cereal. Estes fatores podem impactar na decisão do produtor em ampliar a área cultivada, já que grande parte do milho ficará fora da janela ‘ideal’”, apontam os analistas do Imea. A ‘janela ideal’ do milho no Estado se encerrou na virada do mês. As plantas necessitam de bastante chuva para se desenvolver e a partir de março o período de chuvas começa a se estreitar.

Como destacam os analistas do Imea ainda, os preços atrativos do milho, os insumos já adquiridos antecipadamente e as consultas a campo indicam poucas mudanças em relação às intenções de cultivo.

Em relação às regiões, é esperado leve aumento na área da região nordeste (+0,13%) e recuo na centro-sul (-0,31%) em relação ao último relatório. Os motivos devem-se principalmente ao adiantamento da semeadura no nordeste, que já conta com 68,54% dos trabalhos concluídos, enquanto a região centro-sul segue como a mais atrasada nos trabalhos a campo, com 29,85% das áreas semeadas até então.

FORA DE LINHA - A preocupação quanto à semeadura de milho em Mato Grosso é vista em mais uma semana de levantamento pelas regiões do Estado. Conforme os dados, o plantio do cereal avançou 18,70 p.p. e alcançou 54,66% das áreas. O plantio da safra atual segue abaixo da média das últimas cinco safras, e também fica como a segunda mais atrasada da série histórica do Instituto, atrás apenas da safra 2010/11.

O excesso das chuvas em boa parte do Estado continua sendo a principal barreira para a disponibilização de áreas para o cultivo do grão, e segundo informantes, os produtores seguem colhendo a soja com umidade acima do padrão ideal para acelerar os trabalhos de semeadura a campo. Para as regiões, a nordeste se mantém à frente com 68,54% semeados, em segundo a médio-norte com 61,36%, e por fim, a mais atrasada, fica a centro-sul, com 29,85%, afetada pelo excesso de chuva na região.