Dados obtidos pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que dos mais de 5,69 milhões de hectares esperados para este novo ciclo, apenas 21% estavam semeados até a semana passada. O atraso no plantio da soja, que retardou o início da colheita, bem como uma colheita mais vagarosa em razão das chuvas, desenhou esse cenário.

Na virada do mês o período deixa de ser o mais recomendado ao cultivo do milho, pois a partir de março as chuvas no Estado começam a reduzir. O cereal precisa de bastante água durante seu desenvolvimento para ter uma boa produtividade. Por isso o período tido como ideal é entre meados de janeiro a meados de fevereiro. O milho ocupa a área que vai sendo deixada pela soja no Estado. Nessa época, a colheita da oleaginosa e o plantio do cereal acontecem de forma simultânea.

Como apontam os analistas do Imea, com 20,90% da área esperada cultivada até a semana passada, a semeadura do milho safrinha registra atraso de 42,26 pontos percentuais (p.p.) em relação à safra passada e de 26,46 p.p. na média dos últimos cinco anos.

Nenhuma região mato-grossense havia atingido metade da área semeada até a semana passada. A norte é a mais adiantada com 29,05% da área coberta. Médio norte – que congrega os principais municípios produtores do grão no Estado - teve avanço de 15,27 p.p. na semana, totalizando 24,86% cultivados. Em contrapartida a região centro-sul segue como a mais atrasada, reportando 7,76% das áreas semeadas.

“Assim, o atraso na colheita da soja no Estado tem como obstáculos os volumes de chuva, que impedem a colheita mais acelerada e a disponibilidade de áreas para o cultivo do milho. Portanto, segundo informantes, se houver menores volumes de chuvas na próxima semana, é esperado que os trabalhos se intensifiquem em ritmo dobrado, visto que boa parte da soja já está no ponto de colher”, explicam os analistas.

A evolução do plantio nessa semana pode ter sido mais uma vez limitada, pois o período foi novamente marcado pelas chuvas em todas as regiões de Mato Grosso.

Para esta safra são esperados o plantio de 5,69 milhões de hectares e a oferta de 36,29 milhões de toneladas, o que se confirmado, será um novo recorde de produção e dará ao Estado mais uma vez – a exemplo do que vem ocorrendo deste 2018/19 – mais milho do que soja.

MERCADO - Com baixa negociação interna e mercado internacional “parado” o indicador Imea/MT fechou a semana em R$ 65,16/sc com variação semanal de 0,54%. Praticamente todo o milho da safra 2019/20 foi vendido, restando quase nada para ser comercializado de forma ‘balcao/disponível’.

No entanto, o contrato Jul/21 vem apresentando aumentos significativos nos últimos meses. Assim, com as incertezas quanto à semeadura do milho na América do Sul, os estoques mundiais reduzidos e as demandas elevadas, principalmente a chinesa, os patamares chegaram aos US$ 5,37 bushel, padrão de medida norte-americana que equivale a cerca de 25 quilos.

“Para se ter idéia, em Mato Grosso, o preço médio da safra 2020/21, que está sendo semeada, atingiu a média de R$ 44,85/sc em janeiro. Com isso, houve o interesse do produtor em aproveitar os patamares de preços elevados, registrados nos últimos meses. Entretanto, existem incertezas quanto às condições climáticas para a safra, já que a semeadura segue em atraso. Por outro lado, a temporada 2021/22 está com relações de troca de insumos favoráveis ao agricultor, influenciadas pela manutenção dos preços atrativos para os contratos de julho 22, que bateram os US$ 4,64/bu na média da última semana em Chicago”. A movimentação resulta em vendas e mais de 67% do milho a ser produzido nesse ciclo já está vendido de forma antecipada no Estado, até meados desse mês.