O tempo mais firme em parte do Centro-Oeste do Brasil permitiu que a colheita da safra 2020/21 evoluísse com ritmo um pouco melhor na semana passada. Levantamento da AgRural mostra que, até quinta-feira passada (4), 4% da área cultivada com soja no país estavam colhidas, contra 2% uma semana antes e 16% um ano atrás. Mesmo assim, o índice colhido segue como o menor para esta época do ano desde a temporada 2010/11.

Em Mato Grosso, maior produtor nacional, a colheita já revela atraso de 33 pontos percentuais (p.p.) em relação ao mesmo período do ano passado e se torna o início mais atrasado de toda a série histórica do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Dos mais de 10,30 milhões de hectares semeados nesse ciclo, apenas 11% estavam colhidos até a última sexta-feira (5) contra 44,51% em igual momento de 2020.

No Sul, as chuvas da semana passada favoreceram o desenvolvimento das lavouras do Rio Grande do Sul. Mas, ainda que um pouco menos volumosas e constantes, as precipitações ainda dificultaram o avanço da colheita nas poucas áreas do Paraná e de Santa Catarina que já estão prontas. Os problemas de qualidade continuam, mas, por enquanto, seguem restritos a talhões localizados e semeados em setembro. O tempo mais seco previsto para os próximos dias deve favorecer a perda de umidade e o avanço da colheita.

No outro extremo, as chuvas abaixo do normal registradas até semana passada inspiram cuidado em pontos de Minas Gerais, Goiás e do Matopiba. Mas há bons volumes previstos.

SAFRINHA DE MILHO - Com poucas áreas de soja já prontas para a colheita e os produtores de Mato Grosso ainda focados na semeadura do algodão, que também está atrasada, o plantio da segunda safra de milho chegou na quinta-feira (4) a 3,4% da área prevista para o Centro-Sul do Brasil, mantendo atraso considerável em relação aos 23% de um ano antes.