A safra 2019/20 de soja, em Mato Grosso, registrou um ciclo histórico, com recordes para todos os indicadores. A cultura – carro chefe do agro mato-grossense – teve um ano excepcional graças a uma mistura de fatores, desde o clima, passando pela demanda, câmbio até alta sobre os preços internacionais. O ano que termina fecha com saldo positivo, com melhor margem de lucro e transfere certo otimismo para 2021.
Um adendo histórico para série da oleaginosa é que pela primeira vez, o escoamento da produção foi feito em maior volume pelos portos do Arco Norte em detrimento dos do Arco Sul, como Santos (SP). Foram 11,73 milhões de toneladas contra 9,58 milhões t, respectivamente.
Balanço anual realizado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) - o último do ano - destaca a retrospectiva da cultura e sua pujança, resultados e marcos históricos. Com a finalização desse ciclo -2019/20 – é possível a consolidação de dados como: maiores produtividades e produção do Estado, 59,09 sacas por hectare (sc/ha) e oferta de 35,40 milhões de toneladas (t), respectivamente.
A alta nos preços, atrelada à forte demanda pela soja neste ano, fez com que a área plantada estimada apresentasse avanço de 3,21% em relação ao ano passado, atingindo cobertura histórica de 9,98 milhões ha.
Como destacam os analistas, houve uma conjuntura de fatores que beneficiaram a soja. “Com relação aos preços no ano, a covid-19 acabou impulsionando o dólar, deixando a soja brasileira mais competitiva no mercado internacional. Para se ter uma idéia do impacto benéfico, Mato Grosso exportou mais de 22 milhões t até novembro desse ano. Isso, adicionado à forte demanda interna, levou os preços a subirem 63,56% em relação à média do ano anterior. Tudo trouxe a reboque movimentos sobre a comercialização que se mostrou adiantada na comparação com anos anteriores. Por fim, a conclusão das obras na BR-163 proporcionou uma queda nos custos de transporte, melhorando a logística e fazendo com que, pela primeira vez na história, os portos do Arco Norte escoassem maiores volumes da oleaginosa do que os do Arco Sul”.
Em relação às exportações, o Imea frisa que nos 12 meses do ano passado os embarques somaram 20,23 milhões t. Em onze meses desse ano, já são 22,33 milhões t.
Sobre as cotações, o indicador Imea/MT mostra que a saca encerrou o ano com uma alta de 65,75% ante o ano passado, cotada a R$ 111,06/sc na média anual. No entando houve picos de preços de até pouco mais de R$ 170, para o grão disponível. “Dentre os principais motivos para o salto estão: a valorização do dólar, altas em Chicago {mercado internacional} e fortes demandas interna e externa”, destaca o balanço. A reboque desses fatores há ainda incremento sobre o prêmio à soja no porto de Santos, que acumulou alta de 50,51%, “movido pela forte procura pela soja brasileira em 2020”.
Os preços atrativos, observados no decorrer do ano, também para os subprodutos como farelo e óleo, fizeram com que o esmagamento acumulasse alta de 5,23% ante o ano passado, totalizando 9,65 milhões t até novembro.
PERSPECTIVAS - Os recordes alcançados pela produção e preço da soja para a safra 2019/20 fizeram com que o produtor ficasse animado com as safras futuras, como definem os analistas. Para a safra 2020/21 os trabalhos na semeadura foram encerrados na última sexta (11) em Mato Grosso. “As expectativas são de um aumento de 3,18% da área sobre o recorde da safra passada, totalizando 10,30 milhões ha. Com o clima seco, o produtor iniciou os trabalhos sem boas condições, o que pode atrasar a colheita em 2021. Junto a isso, a seca também impactou a perspectiva de produtividade, que está 2,84% abaixo à da última temporada. Já para a produção, as perspectivas apresentam variação positiva de 0,24%, totalizando 35,48 milhões t”, projetam os analistas do Imea.
Outro fator a ser considerado no novo ciclo é em relação ao impacto da estiagem. “Devido ao tempo seco observado em Mato Grosso até o final de novembro - que atrasou a semeadura em relação aos anos anteriores - 2,51% das lavouras apresentaram necessidade de replantio em suas áreas. A região mais afetada foi a oeste, com 5,75% de ressemeadura. Refazer os trabalhos de semeadura implica em gastos adicionais e pode prejudicar o desenvolvimento das plantas/lavouras.
Com a alta na produção, preços atrativos e boas relações de troca, os sojicultores aproveitaram a oportunidade para negociar o grão. Sendo assim, a safra 2020/21 conta com 66,45% da sua produção estimada já comercializada, ficando 15,33 pontos percentuais (p.p.) e 19,68 p.p. à frente à do mesmo período da safra passada e da média dos últimos cinco anos, respectivamente.
“Outro fator recorde é a comercialização da safra 2021/22, que já apresenta 12,97% da produção esperada vendida, fato que se deve às grandes demandas externa e interna. Além disso, as exportações foram recordes no ano e as perspectivas de demanda continuam positivas, pois tanto a China está demandando mais soja, como internamente a indústria está buscando mais grãos devido à forte procura pelos subprodutos”.