Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que as incertezas em relação à safra atual, que está sob efeito de déficit hídrico - além do avançado montante de soja já vendida pelos agricultores até o momento - afetaram os negócios em novembro.
A atualização destaca que para as temporadas futuras – 2020/21 e 2021/22 - o avanço foi lento, diferente do ritmo que vinha sendo registrado. “A comercialização da safra 2020/21 aumentou 2,08 pontos percentuais (p.p.) e já conta com 66,45% do volume esperado, negociados. Já a safra 2021/22 alcançou 12,97% da produção estimada, após o avanço de 2,57 p.p. no último mês”.
Sobre a antecipação, para 2020/21, lideram as vendas no Estado, as regiões norte e médio norte com 73,64% e 71,17%, respectivamente. Na 2019/20, a porção norte se destaca com 100% da produção vendida. Para 2021/22, o norte chama à atenção novamente com 20% da expectativa de produção já travada.
Ainda avaliando os desdobramentos das vendas a termo – para entrega futura – o Imea destaca que apesar do ‘freio’ sobre o ritmo de 2020, os volumes já negociados estão acima do que se via há um ano, por exemplo, e até mesmo rompendo patamares históricos no Estado. Em dezembro do ano passado, a safra 2019/20 abria o mês com 51,12% de sua projeção vendida. No mesmo momento de 2020, a safra nova revela negócios que comprometem mais de 66% do total esperado.
Um movimento inédito no Estado se observa para a temporada 2021/22, cujas negociações começaram com mais de um ano de antecedência. Essa precocidade mostra que da temporada que só vai ser cultivada a partir de setembro de 2021, quase 13% da produção estavam vendidas até o começo desse mês. Movimento parecido assim – de antecipação de vendas para além de um ciclo – apontava que em dezembro do ano passado apenas 0,71%, da então safra 2020/21, estava travada pelos produtores.
Em relação ao ciclo 2019/20, os analistas do Imea pontuam que houve poucas alterações, pois grande parte da safra já havia sido comercializada. No total, foram negociadas 99,82% da produção, valor 0,51 p.p. acima da safra anterior.
Em relação aos preços médios comercializados no último mês ficaram em R$ 167,79/sc, R$ 125,92/sc e R$ 107,98/sc para as safras20 19/20, 2020/21 e 2021/22, respectivamente. “Apesar da pouca soja disponível, o indicador Imea/MT registrou queda de 4,10% na semana. A maioria das empresas já está se planejando para o próximo ano e poucos negócios estão ocorrendo”, explicam os analistas. PARIDADE MAR/21: A paridade de exportação da soja em Mato Grosso - que possibilita a obtenção dos preços médios para a venda - valorizou 44,48% nos últimos oito meses. Embora o prêmio tenha sido o componente que mais oscilou, o maior responsável por esse aumento foi o preço na CME-Group, Bolsa de Chicago, ou seja, a valorização ocorreu sobre o preço internacional.
“A forte demanda mundial, principalmente as compras da China de soja dos Estados Unidos nos últimos meses, aliada às adversidades climáticas na América do Sul, foi altista para as cotações em Chicago. O contrato mar/21 aumentou 37,71% no período. Já o dólar valorizou intensamente desde o início do ano, principalmente no começo da pandemia, mas recuou nos últimos meses. De maneira geral, o patamar acima de R$ 5,10/US$ está auxiliando na atratividade dos preços ao produtor”, explicam os analistas.