Com os trabalhos virtualmente encerrados no Centro-Oeste e já nos talhões finais no Sudeste, Paraná e Rondônia, a semeadura agora segue concentrada no Matopiba, que tem ritmo mais forte que o da média histórica devido à boa umidade na região, e no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, que continuam atrasados por conta da irregularidade das chuvas.
A semana passada foi marcada pelo retorno muito bem-vindo das chuvas ao Rio Grande do Sul. No resto do país, porém, a combinação de tempo seco e temperaturas em elevação voltou a predominar, após as boas chuvas da terceira semana de novembro. Isso acendeu novamente o sinal amarelo em algumas áreas com umidade do solo mais ajustada, especialmente em Mato Grosso e no Paraná.
A preocupação com esse período mais seco (algo pouco usual nesta época do ano) só não é maior porque, como o plantio foi feito com atraso, a maior parte das lavouras ainda está em período vegetativo ou no início da fase reprodutiva, quando o impacto do clima desfavorável sobre o potencial produtivo é menor do que na formação de vagens e enchimento de grãos.
Por ora, a AgRural estima a produção de soja do Brasil em 132,2 milhões de toneladas. Essa produção é calculada com base em linhas de tendência de produtividade, que serão substuídas por estimativas estado a estado a partir de dezembro. Embora a safra 2020/21 tenha problemas gerados pela extrema irregularidade das chuvas no plantio e desenvolvimento inicial, cortes na estimativa de produtividade durante a fase vegetativa da safra não são recomendados.
No Centro-Sul do Brasil, 94% da área de milho verão estava plantada até quinta-feira (26), contra 91% uma semana antes e 91% um ano atrás. Apesar do retorno das chuvas ao Rio Grande do Sul, o estado já tem perdas de produtividade consolidadas e deve passar por um terceiro corte na estimativa de safra que a AgRural divulgará no início de dezembro.
Em novembro, devido a cortes nos três estados do Sul, a produção do Centro-Sul do Brasil foi estimada pela AgRural em 20,7 milhões de toneladas, contra 21,9 milhões em outubro e 19,7 milhões de toneladas na safra 2019/20.