A variação mensal sobre o orçamento do produtor ficou 0,13% mais cara na passagem de setembro para outubro. Cada hectare plantado deve ficar em torno de R$ 2.631,08, o maior valor já projetado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

A inflação sobre os insumos básicos já era aguardada- assim como se dá sobre a nova soja - em razão de todo o contexto mundial de pandemia, inseguranças política e econômica e especialmente, pela variação do câmbio. O que tem agora é uma dimensão da nova conta da safra 2020/21 ao produtor de Mato Grosso. “Os custos com fertilizantes e corretivos atingiram o maior orçamento na série histórica do Imea, ficando 7,44% acima do consolidado para a safra passada (2019/20), sendo cotado a R$ 751,55/há”, alertam os analistas.

De acordo com os números atualizados e divulgados na última segunda-feira, foi observado que a alta do dólar ponderado pela comercialização de setembro de 2020 a outubro de 20220 impactou nos custos com os insumos, com aos defensivos agrícolas, que apresentaram um aumento de 0,25% e os macronutrientes de 0,18%, no comparativo mensal. “Com estes aumentos o custo operacional efetivo (COE) fechou o mês de outubro em R$ 2.631,08/ha, variação de 0,13% ante o mês passado, o que contribuiu para que o ponto de equilíbrio ao produtor mato-grossense fosse estimado em R$ 21,18/SC”, completam os analistas. O ponto de equilíbrio identifica o volume mínimo de faturamento para não gerar prejuízos. Ou seja, o produtor sabe o quanto custa produzir uma saca, nesse caso, R$ 21,18, e que qualquer valor de mercado pela saca abaixo disso é perda financeira. Em outras palavras, o ponto de equilíbrio é um indicador de segurança do negócio. Mostra o quanto é necessário vender para que as receitas se igualem aos custos.

Até o mesmo momento do ano passado, não havia registro de vendas futuras (a termo) ao milho, no Estado. Em 2020, os negócios beiram 60% da produção a ser cultivada em meados janeiro/21, já vendidos. O preço no mercado disponível mostra variação anual de 114,60%, com a saca passando de uma média R$ 29,99 para atuais R$ 64,36. Para contratos com vencimento em julho de 2021 – auge de entregas do cereal – há evolução na cotação do bushel, que passa de US$ 3,90 em novembro do ano passado, para US$ 4,31 nesse ano. Bushel é um padrão de medida norte-americano - que baliza as vendas das commodities no mercado mundial em Bolsa – e que equivale a 27,24 quilos no Brasil.

Em relação às projeções da nova safra, a produção em Mato Grosso continua com a estimativa de 36,29 milhões de toneladas na safra 2020/21, previsão realizada pelo Imea, em setembro. O rendimento médios nas lavouras também foi mantido o valor como no último relatório: 106,28 sc/ha.

“Neste mês, a estimativa da safra 2020/21 de milho não foi modificada. Os próximos dias podem ser decisivos para a semeadura da soja, que tenta recuperar o atraso dos trabalhos a campo em relação às safras anteriores. Apesar da maior incerteza gerada neste momento, a expectativa de aumento na área de 5,03% em relação à safra passada foi mantida, podendo ter novas estimativas no próximo mês quando houver maior clareza para os riscos da próxima temporada do cereal”, explicam os analistas.

ETANOL MAIS CARO - Na última semana, o indicador de etanol hidratado para Mato Grosso calculado pelo Cepea apresentou elevação de 2,85% no comparativo mensal. É percebida uma elevação na maioria das matérias-primas no Brasil e no caso da cana-de-açúcar, o maior uso com destino à produção do adoçante tem aumentado a concorrência na hora da moagem. Além disso, segundo o último relatório quinzenal da Unica (União das indústrias de Cana-de-Açúcar), as vendas do hidratado têm ensaiado recuperação nos últimos dois meses, indicando uma possível melhora da demanda, mesmo estando abaixo do volume para o mesmo período da safra passada. Por outro lado, a produção com base no milho teve um volume nos últimos quinze dias de outubro de 126,31 milhões de litros, acumulando um valor 73,12% maior que o mesmo período da safra 2019/20.