A safra 2020/21 de soja, em Mato Grosso, está tendo o início mais atrasado dentro da média dos últimos cinco anos, do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Desde a liberação do plantio, no último dia 15, até sexta-feira, a nova soja cobria 0,75% da área estimada em mais 10,20 milhões de hectares.
Conforme a série de acompanhamento do Imea, no ano passado – mesmo período de comparação – 1,69% da área estava coberta, ou seja, mais que o dobro do registro atual. Já na média dos últimos cinco anos, eram 2,68% de área semeada. O tempo seco e a ausência de previsões de chuvas - com bons volumes - retardam a movimentação no Estado, adiando o planejamento de produtores que estão com tudo organizado para o início de mais um ciclo da sojicultora estadual.
Como explicam os analistas do Imea, o menor volume de chuvas até então atrasou os trabalhos a campo, que estão 1,93 pontos percentuais (p.p.) abaixo da média dos últimos cinco anos. “Como a previsão para os próximos 30 dias (TempoCampo) indica chuvas entre 25 e 50 milímetros (mm) para a maior parte do Estado, os trabalhos podem acelerar nas próximas semanas, principalmente na região norte, onde os volumes podem superar os 100 mm”.
Com quase esse atraso no plantio, os analistas do Imea chamam à atenção para possibilidade de uma safra com plantio concentrado, ou seja, muitos hectares semeados em poucos dias, o que entre outros fatores, pode contribuir para a disseminação de pragas e doenças, bem como atrapalhar a colheita, caso haja também, uma concentração no regime de chuvas. “A concentração da semeadura em poucos dias que poderá levar à concentração da época de desfolha e maturação da soja. Mas isso afeta algo? Se ocorrer uma concentração de chuva intensa próximo da colheita, sim. Porém, o agricultor costuma escalonar o cultivo da soja de acordo com o ciclo de cada cultivar, sem falar da tendência crescente do uso de cultivares de ciclo superprecoce, o que pode amenizar esse possível problema. De todo modo, nesse momento de tomada de decisões, a preocupação serve de alerta”.
ALÉM DE CHICAGO – O atraso no início do plantio da soja só pressiona ainda mais as cotações do produto, cuja oferta está cada vez mais escassa, com grãos menos disponíveis a cada semana que passa. Mato Grosso é o maior produtor nacional de soja e o mercado está de olho nos desdobramentos da nova safra e por isso, os preços, tanto no balcão, quanto no futuro, seguem em alta. A soja valorizou 2,98% na última semana, com o indicador IMEA/MT fechando na média de R$ 133,68/sc, batendo novo recorde.
Os principais motivos para este resultado foram a alta do dólar e a pouca disponibilidade de produto interno, bem como, a lentidão no plantio da nova safra no Estado. Vale ressaltar que há vários dias o preço local está acima do preço em Chicago o que não é normal quando se analisa o histórico da relação de base entre MT e CME-Group, A Bolsa de Chicago. Aliás, as valorizações também ocorreram nos contratos futuros: segundo levantamento feito pelo Imea, algumas praças registraram preços de R$ 101,00/sc para a safra 2021/22, favorecendo ainda mais a relação de troca com os insumos para a temporada seguinte. “A comercialização de insumos da soja para a safra 2021/22 está acima de 16% (até final de agosto), patamar recorde para o período”, destacam os analistas.