A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou nesta terça-feira (29)
que o agricultor do Pantanal está tendo prejuízos com as queimadas que atingem a
região e defendeu a destinação de mais recursos para combate e prevenção a esses
incêndios.
As queimadas, que já devastaram quase 3,5 milhões de hectares do Pantanal,
começaram em quatro fazendas de grande porte em Corumbá (MS), segundo
investigação da Polícia Federal (PF) iniciada em junho. A suspeita é que
produtores rurais tenham colocado fogo na vegetação para transformação em área
de pastagem.
Segundo relatório do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), as queimadas no Pantanal
devem gerar impactos diretos e indiretos no bioma, incluindo falta de alimentos,
desequilíbrio ambiental e risco de extinção de animais.
O governo do presidente Jair Bolsonaro vêm recebendo críticas pelo que tem sido
considerada falta de ação na prevenção e combate aos incêndios na região.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) diminuiu o ritmo das operações
de fiscalização em Mato Grosso do Sul em 2020, o que se reflete nas multas
aplicadas: autuações relacionadas à vegetação (como desmatamento e queimadas
ilegais) caíram 22% neste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado.
De acordo com a ministra, os agricultores no Pantanal não estão felizes com as
queimadas, que, avaliou ela, têm várias causas. Tereza Cristina também disse que
é preciso “separar o joio do trigo”.
“Será que o produtor do Pantanal, o homem pantaneiro que eu conheço tão bem,
está feliz com esses incêndios que estão acontecendo lá? Será? Porque a grande
maioria terá prejuízos enormes com as queimadas”, afirmou a ministra durante o
Fórum Reconstrução Sustentável, promovido pelo jornal "Valor Econômico".
A ministra disse que combater os incêndios nessas regiões é muito difícil,
por causa da dificuldade de acesso, e defendeu mais recursos para ações de
prevenção.
“Temos que fazer a prevenção, ter um plano de prevenção cada vez mais forte,
ter recursos para ter os planos e poder ajudar em uma época de incêndios”,
afirmou.
Ela ainda citou que incêndios não são mazelas só do Brasil e lembrou das
queimadas que atingiram o estado norte-americano da Califórnia, que, segundo ela,
é um estado “ambientalmente correto”. A ministra afirmou ainda que incêndios no
Pantanal são comuns, mas que eles ganharam uma dimensão maior neste ano por
causa da seca histórica.
A ministra também defendeu recursos para que pequenos agricultores abandonem
práticas rudimentares de tratamento da terra, como as queimadas. Segundo ela,
além de dar assistência técnica para que ele conheça novas técnicas, é preciso
dar crédito para que esses agricultores consigam implementar.
Acordo Mercosul-União Europeia
Durante o evento, a ministra também comentou sobre o acordo comercial entre o
Mercosul e a União Europeia. Segundo a ministra, o acordo é bom para os dois
blocos e, por isso, ela acredita que ele vai sair.
“Ele é vantajoso para os dois blocos, não é só vantajoso para o Mercosul. Tem
muitas vantagens para a União Europeia”, afirmou.
Países europeus têm expressado dúvidas sobre o futuro do acordo em razão da
situação da floresta amazônica no Brasil.
O Brasil tem sido criticado por políticos, ativistas e organizações não
governamentais em razão da política ambiental, com registros de altas no
desmatamento e nas queimadas na Amazônia. O tema surge nas discussões como uma
barreira à celebração dos acordos.
Deputados holandeses, por exemplo, aprovaram já neste ano uma moção contra a ratificação do acordo entre União Europeia e Mercosul. A situação da Amazônia, para eles, está no centro do debate.