Agosto terminou impondo novos dados históricos à séria mato-grossense da soja. Mais uma vez, patamares elevados foram registrados à cotação. A saca fechou a semana com média de R$ 124,83, em Mato Grosso, valorização de 3,78% ante a semana anterior. Em igual momento do ano passado, a saca apresentava média de R$ 72,59%, ou seja, há uma valorização anual de quase 72%.
Além da influência dos contratos futuros nos Estados Unidos, a forte demanda pela soja disponível no Estado está impactando nos preços recordes (assim como dos subprodutos da oleaginosa). Não apenas o grão está em ascendência, como também o farelo e o óleo, os mais demandados entre os subprodutos da oleaginosa. O óleo atingiu inéditos R$ 5 mil a tonelada.
Conforme dados do Boletim da Soja do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), as cotações da oleaginosa vêm apresentando aumentos consecutivos nos últimos dias, no EStado, sofrendo influência das altas na bolsa de Chicago (CME-Group), do dólar, e da forte demanda interna pelo grão, que está impactando o prêmio (basis) em várias praças do Estado.
“Do lado da CME-Group, a demanda chinesa pela soja norte-americana vem contribuindo com a impulsão das cotações internacionais, visto que as negociações, principalmente da safra 2020/21, estão aceleradas e batendo recordes. Quanto ao dólar, o cenário político interno de reformas influenciaram nas últimas semanas, valorizando a moeda norte-americana ante o real. E por último, a demanda interna pela pouca soja disponível vem elevando o prêmio, o que leva as esmagadoras a pagarem muito mais pela soja em grão do que o preço exportação, principalmente devido à valorização dos subprodutos nas últimas semanas”, explicam os analistas.
O cenário atual da soja é de alta demanda interna com os estoques cada vez menores, movimento que vem influenciando diretamente sobre a cotação do grão disponível e estimulando contratos para entrega futura, apontam os analistas.
DESDOBRAMENTOS - A demanda firme pelo óleo de soja, internamente, fez o preço do subproduto ultrapassar a marca de R$ 5 mil/t na última semana de agosto. Este é o maior valor nominal da série histórica do Imea. Em embalo semelhante, o farelo está em seu maior preço da série histórica, a R$ 1.878,67/t.
Os analistas do Imea observam que a margem das indústrias está acima da média, a R$ 354,57/t. Por último, vale ressaltar que a soja em grão também está com preços elevados, o que vem “barrando” uma subida mais forte nesta margem. Além disso, a escassez da matéria-prima pode prejudicar as indústrias que não estão com produção negociada até o final do ano.
Apesar do patamar recorde, o óleo possui rendimento de aproximadamente 19% do volume de soja esmagado na indústria, o que impacta no menor nível da margem de esmagamento das empresas. Já o farelo possui rendimento em torno de 78% e por isso seu preço influencia mais a margem de esmagamento do que o óleo.