O cenário seguiu sendo de preços bem sustentados mesmo diante da entrada da safrinha. A oferta bem dosada por parte dos produtores e a disputa pelo milho entre exportação e mercado interno garantiu os avanços graduais do cereal.

A volatilidade do dólar, que subiu novamente em agosto, garantiu suporte aos preços do milho nos portos, com vistas à exportação, trazendo maior competitividade aos embarques brasileiros. E isso acabou também influenciando o mercado físico, ao produtor. O dólar comercial subiu de R$ 5,216 ao final de julho para R$ 5,575 no fechamento desta quinta-feira, acumulando em agosto valorização de 6,9% (até 27 de agosto).

Com dólar elevado, boa demanda da exportação e procura dos compradores internamente, pouco a pouco os preços foram avançando, acumulando em agosto forte alta em quase todas as regiões. Segundo o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, a oferta de milho segue muito restrita no mercado doméstico, com os produtores em geral ainda apostando na retenção como estratégia recorrente. “A movimentação cambial e da CBOT foram sem dúvida relevantes para a continuidade dessas estratégias. Tradings e demais consumidores ainda encontram dificuldades na aquisição de lotes.

Entre fatores de sustentação, o produtor continua mostrando-se bem capitalizado e pode dosar a entrada de milho no mercado com tranquilidade, esperando por reações nos preços. Houve baixo estoque ao final da safra de verão e agora os consumidores estão tendo de buscar mais oferta no mercado, trazendo pressão de compra. E segue a avaliação de uma safra de verão com produção discreta em 2021, além de notícias de geadas em algumas regiões trazendo prejuízos.

No balanço de agosto, o preço do milho na base de compra no Porto de Paranaguá subiu de R$ 50 para R$ 60 a saca, valorização de 20%.

Já no mercado disponível, o preço do milho em Campinas/CIF subiu de R$ 53 a saca de 60 quilos na base de venda para R$ 65 a saca no comparativo do fim de julho com o dia 27 de agosto, acumulando no mês alta de 22,6%. Na região Mogiana paulista, o cereal passou de R$ 51 para R$ 63 a saca no comparativo, valorizando no mês 23,5%.

Em Cascavel, no Paraná, no comparativo mensal, o preço avançou no mês de R$ 47 para R$ 57 a saca na base de venda, alta de 21,3%. Em Rondonópolis, Mato Grosso, a cotação subiu de R$ 41 para R$ 50 a saca, elevação de 21,9%. Já em Erechim, Rio Grande do Sul, houve alta de R$ 52,50 para R$ 61 no balanço mensal (+16,2%).

Em Uberlândia, Minas Gerais, as cotações do milho avançaram no mês de R$ 45 para R$ 60 a saca, valorização de 33,3%. Em Rio Verde, Goiás, o mercado passou de R$ 43 para R$ 55 a saca no comparativo de agosto contra julho (+27,9%).