O economista e consultor pela Agrifatto, Yago Travagini, explica que entre os principais fatores para aumento está o prolongamento das boas condições dos pastos no Estado, que com as chuvas registradas durante o mês de maio, o pecuarista conseguiu estender o tempo de estadia do animal sobre as pastagens.
Além disso, o fim das férias coletivas em algumas unidades frigoríficas do Estado, e por fim, a extensão da vacinação contra aftosa para o mês de junho, fazendo com que produtores mudassem a estratégia de entregas pré-vacinação.
“Ainda assim, ressaltamos que o volume de animais abatidos, em Mato Grosso, durante o primeiro semestre de 2020, está 7% abaixo do mesmo período de 2019. E essa diminuição advém principalmente das fêmeas, que reduziram seu abate em 13% no mesmo período de comparação”.
No horizonte de oferta, completa o consultor, caso o histórico dos últimos anos se repita, o volume abatido no segundo semestre deve ser maior que o do 1º, com uma pressão de oferta maior sobre o terceiro trimestre. “No entanto, esperar um futuro padrão em um ano tão atípico, ainda parece ser algo distante dos olhares realistas”, pontou Yago.
REPOSIÇÃO – Analistas do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), destacam que com o fechamento do segundo trimestre de 2020, foi possível observar que em comparação com o trimestre anterior os Custos Operacionais (CO) do sistema de cria subiram apenas 0,24% e caíram 1,78% no sistema de ciclo completo, fechando em R$ 126,45/@ e R$ 116,49/@, respectivamente. No entanto, em movimento contrário, para o sistema de recria-engorda, houve uma alta no período de 6,68%, fechando o trimestre em R$ 158,69/@. “O avanço expressivo desse sistema esteve atrelado, principalmente, ao desembolso com a aquisição animal. Este item representou 60,99% do CO e subiu 12,39% no trimestre. O principal fator para tal aumento é relacionado à valorização dos preços no mercado de reposição, ligado ao cenário cíclico de restrição da oferta de animais”.
Para o bezerro de ano e de desmama, por exemplo, as altas no comparativo trimestral foram de 7,30% e 6,57%, respectivamente.
Na semana passada, os preços do boi e da vaca gorda fecharam o período em alta, mas ainda de maneira leve. Para a arroba do macho, a variação semanal foi de 0,84% e para a da fêmea, 0,56%, ficando cotadas a R$ 187,65 e R$ 175,48, respectivamente.
MERCADO - As exportações de carne bovina in natura seguiram avançando, como apontam os dados divulgados pela Secex (Secretaria de Comércio Exterior) ontem, com uma média diária de 8,51 mil toneladas durante a terceira semana do mês de julho, a média diária no mês embarcada aumentou 11%, chegando a 7,33 mil toneladas. Tal avanço fez com que o montante enviado para fora do país chegasse a 95,37 mil toneladas, 72% do total embarcado no mesmo período do ano passado.
A receita obtida com as vendas de proteína bovina já supera os US$ 390 milhões durante as três primeiras semanas deste mês, com um preço médio de US$ 4,09 mil por toneladas. Apesar do recuo no preço de venda em comparação a junho, a valorização do dólar durante este mês, compensou esta desvalorização.