A safra 2019/20 não terminou em Mato Grosso – ainda há plena colheita de milho safrinha, algodão e cana-de-açúcar – mas já é de longe histórica. A renda gerada dentro das propriedades até maio, da ‘porteira para dentro’, deve somar mais de R$ 123,57 bilhões considerando toda a produção agropecuária mato-grossense. O valor, calculado e atualizado mensalmente pelo Ministério da Agricultura, é o maior já atribuído ao Estado. Na comparação com o ciclo anterior – que foi recorde ao ultrapassar a casa de R$ 100 bilhões – cuja produção total gerou R$ 104,71 bilhões, há um incremento anual de 18%.

O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) é um indicador de desempenho da agropecuária. É considerado também um indicador do faturamento. A produção e o preço médio do mercado, em determinado período, são considerados e gera-se uma média de valor atribuída a uma determinada cultura/atividade pecuária. Por isso o VBP mensura a renda gerada dentro da porteira. Com atualizações mensais, seu cálculo é efetuado para os estados e regiões brasileiras, com dados de 21 produtos de lavouras e cinco atividades da pecuária.

O maior ganho nominal da produção agropecuária de Mato Grosso vem das lavouras, mais especificamente, das lavouras de soja e de milho, culturas que apresentam a maior valorização anual. O milho safrinha deve somar receita de R$ 20,38 milhões – safra com estimativa de produção recorde, acima de 30 milhões de toneladas – ante R$ 13,53 bilhões no ano passado. A soja, carro-chefe do agro local – deve somar – também de uma produção recorde – R$ 48,29 bilhões em receita, ante, R$ 38,78 bilhões do ciclo anterior.

Todas as principais culturas do Estado – algodão, cana, milho e soja – registram projeção recorde de faturamento em 2020. Aliás, dos R$ 123,57 bilhões estimados de faturamento para a produção agropecuária estadual, R$ 100,62 bilhões virão do campo e outros R$ 22,95 bilhões das atividades pecuárias, ambas apresentando ganhos em relação a 2019, R$ 83,97 bilhões e R$ 20,74 bilhões de VBP em 2019, respectivamente.

Considerando as cifras projetadas para Mato Grosso, o Estado sozinho, será responsável por 17,55% do faturamento global do setor projetado ao País nesse ano, que é de R$ 703,80 bilhões. Mato Grosso, com esse VBP, será pelo terceiro ano seguindo o Estado com a maior renda agropecuária do País, superando desde 2018, o até então líder, São Paulo.

“A safra recorde de grãos estimada em 250,5 milhões de toneladas, os preços agrícolas e o desempenho favorável de algumas lavouras, como o café e a cana-de-açúcar, foram decisivos nos valores obtidos do VBP”, analisa José Garcia Gasques, coordenador-geral de Avaliação de Políticas e Informação da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Os dados regionais do VBP mostram, como em relatórios anteriores, a evidência do Centro-Oeste, com R$ 222,19 bilhões, seguido da região Sudeste, R$ 174,9 bilhões, Sul (R$ 167,7 bilhões), Nordeste (R$ 67,2 bilhões) e Norte (R$ 44,6 bilhões).

PRODUTOS – Em Mato Grosso, quatro culturas fazem a diferença no saldo do VPB. Por ordem de receita, está a soja, cujo faturamento passa de R$ 38,78 bilhões no ano passado para R$ 48,29 bilhões em 2020. Em segundo lugar está o algodão, cuja projeção é passar de R4 27,73 bilhões para R$ 28,03 bilhões. O milho – produzido 100% em segunda safra no Estado – passa de R$ 13,53 bilhões para R$ 20,38 bilhões. E em quarto lugar no peso da receita ‘agricultura’, está a cana-de-açúcar, com projeção de somar R$ 2,16 bilhões ante R$ 2,13 bilhões.

Na produção pecuária, são consideradas: produção de bovinos, suínos, aves, ovos e de leite. A sustentação da atividade está calcada na bovinocultura, responsável por mais de 50% do faturamento. Para 2020, o segmento deve contabilizar receita de R$ 17,90 bilhões contra R$ 15,74 bilhões em 2019.

Na pecuária apenas três atividades devem avançar no VBP em 2020, além da bovinocultura, a produção de suínos aponta receita de R$ 1,20 bilhão contra R$ 1,09 bilhão no ano passado e a produção de ovos que deve atingir R$ 797,35 milhões contra R$ 685,15 milhões no ano passado.

A avicultura deve passar de R$2,63 bilhões para R$ 2,37 bilhões a produção de leite de R$ 594,96 milhões para R$ 586,07 milhões.

BRASIL - O VBP de 2020, de acordo com dados atualizados em maio, está estimado em R$ 703,8 bilhões, 8,5% acima do obtido em 2019 (R$ 648,4 bilhões). O valor é recorde desde que iniciou a série histórica, em 1989.

As lavouras tiveram alta de 11%, com R$ 469,8 bilhões, e a pecuária obteve R$ 234 bilhões, acréscimo de 3,9% do observado no ano passado. Segundo o Boletim de junho da Conab, a alta do Dólar em relação ao Real colocou os preços domésticos em patamares elevados.

Os preços do milho (19,7%), soja (11,8%) e o café arábica (20,4%) apresentam fortes elevações em relação ao ano passado. Ainda segundo a Conab, as exportações acumuladas de soja, de janeiro a maio, chegaram a 48 milhões de toneladas, um recorde para o período.

O mercado internacional tem refletido também na pecuária, cujos preços de carnes bovina e suína têm tido elevação em relação ao ano passado. Outros produtos, como laranja, arroz, feijão, tomate e trigo, experimentam aumentos de preços nesse período, porém a fonte dessas altas está ligada ao mercado interno.

Três produtos (café, milho e soja) representam 57,8% do VBP das lavouras. De acordo com o estudo do VBP, um grupo reduzido de produtos está com desempenho pouco favorável, com destaque para banana, batata-inglesa, uva, carne de frango e leite. Entre estes, o leite é o único que tem sido mencionado como um dos que está sendo afetado pela pandemia do novo Coronavírus, analisa Gasques.