O Produto Interno Bruno (PIB) do setor agropecuário brasileiro deve crescer
2,4% em 2020, projetou nesta quarta-feira o Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea), que reduziu estimativa de março, de avanço de 3,8%, ressaltando
no entanto que a mudança não tem o coronavírus como principal fator.
Mas o resultado ainda é melhor do que na comparação com o resultado de 2019,
quando o crescimento foi de 1,3%.
"O principal motivo da revisão não é a pandemia, está relacionado à redução
da estimativa de produção de soja do Levantamento Sistemático da Produção
Agrícola (LSPA), do IBGE, e decorre principalmente de uma queda da colheita do
grão no Rio Grande do Sul", disse o Ipea.
Em um "cenário de estresse", com impactos mais significativos da recessão sobre
o PIB do agronegócio, principalmente sobre a produção de bovinos e cana-de-açúcar,
o setor ainda avançaria 1,4% no ano, segundo a projeção.
Antes, o Ipea previa alta de 2,5% mesmo no cenário de maior estresse.
"O mercado de carne bovina, proteína mais cara, pode ser o segmento com maior
impacto negativo por conta da crise causada pela pandemia de Covid-19", disse o
diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea, José Ronaldo de Castro
Souza Júnior, em nota.
A previsão de taxa de crescimento do segmento de carne bovina caiu de 3,5%
para 1,1% no cenário-base.
Importância do PIB da agropecuária
Pela metodologia do IBGE, a agropecuária é responsável por cerca de 5% do
resultado total do PIB, pois considera apenas o que é produzido dentro das
fazendas. Em 2019, o setor movimentou R$ 322 bilhões de um total de R$ 7,3
trilhões.
Segundo cálculos da CNA, quando se leva em conta a participação das agroindústrias (como frigoríficos) e o setor de serviços da atividade (como transporte de mercadorias), o agronegócio como um todo responde por, pelo menos, 20% do PIB brasileiro.