A área plantada com a oleaginosa será de 37,2 milhões de hectares. Mato Grosso segue na liderança da produção nacional, com 34,01 mi/t, seguido do Paraná (20,72 mi/t). O Rio Grande do Sul sofreu com forte estiagem em algumas regiões e teve sua estimativa reduzida para 10,45 mi/t, ficando na quinta colocação.

Os números gerais, porém, são suficientes para manter o Brasil na liderança no ranking mundial da produção, com 36% da soja produzida no planeta. Na segunda colocação aparecem os Estados Unidos, que devem colher 97 mi/t e responde por 29% da soja mundial, seguido da Argentina, que produz 65 mi/t e abrange 16% da produção. Juntos, esses três países respondem por 81% da produção mundial da oleaginosa.

O Brasil lidera também nas exportações, com 77 mi/t comercializadas (52% do total exportado), seguido pelos Estados Unidos, que vendeu 48 mi/t (33% do total exportado) e pela Argentina, que vendeu 13 mil/t (6% do comércio internacional). Os três países somam 91% das exportações mundiais.

E A CHINA? - O país bateu novo recorde de exportação em março: 13,3 mi/t ante 12,3 mi/t em maio de 2018. O Brasil já comercializou 60% da safra 2019/20 e 10% da safra 2020/21 e já escoou 35 mi/t neste ano. A China segue comprando soja brasileira devido ao elevado teor de óleo e proteína do produto nacional. O Brasil exportou para a China 60 mi/t em 2019 (contra 66 mi/t em 2018) e deve exportar entre 60 e 66 mi/t em 2020.

A covid-19 deve levar a uma recessão mundial com estimativa de queda no PIB Global de até -2%. O menor crescimento do PIB global afeta mercados, câmbio e o crescimento do consumo nos países ricos. A China importou 82 mi/t de soja em 2019 e deve importar 85 mi/t em 2020. Tudo indica que os problemas internos serão resolvidos e o país tornará a importar 90 mi de t. Com a superação da epidemia e da Peste Suína Africana, que reduziu rebanhos suínos chineses, o país segue importando soja e carnes no mercado internacional e deve retomar a produção interna de proteína animal, elevando o consumo de soja.

A primeira fase do acordo comercial traz estabilidade ao mercado, mas não garante compras de soja dos Estados Unidos por parte da China, que comprará de acordo com o preço e disponibilidade. Há perspectiva de compras a partir do segundo semestre com a entrada da safra norte-americana no mercado.

CLIMA - A produção de grãos deverá atingir 251,8 milhões de toneladas, apresentando variação positiva de 4% em relação à safra anterior, equivalendo a um aumento absoluto de 9,7 milhões de toneladas. O aumento da produção de algodão, arroz, feijão e sorgo também explicam esse recorde de produção.

As culturas de primeira safra responderam bem às condições climáticas, apesar de um início de safra sem chuvas, e, de maneira geral, apresentam rendimento superior ao da safra passada. As lavouras de soja recuperaram e, com a colheita finalizando, estima-se uma produtividade superior à da safra passada, quando importantes estados produtores sofreram com estiagem.

No Rio Grande do Sul, a falta de chuvas beneficiou as lavouras de arroz, promovendo um dos melhores rendimentos na série histórica.