“Por enquanto, as exportações estão normais. Tivemos aquelas ameaças de paralisação no porto de Santos, mas nada se confirmou”, frisou o analista de Safras & Mercado, Luiz Fernando Roque.
Na avaliação de Roque, o governo federal vai fazer de tudo para que nenhum porto paralise suas operações. “Os embarques estão normais. O que está acontecendo é um pouco de atraso nos embarques. Uma parte dessas operações previstas para março pode ser deslocada para abril. Alguns de abril podem ser adiados maio, mas nada que comprometa o volume que o Brasil vai exportar na temporada. Foram poucos cancelamentos. Uma ou outra carga foi cancelada”, resume o analista
Segundo ele, há uma possibilidade de atraso porque em alguns portos há menos mão de obra, “mas nada que seja alarmante”. Roque destaca que os registros de exportação estão bem fortes. “Claro que é importante continuar monitorando e vendo o que vai acontecer daqui para frente, mas a princípio está tudo dentro do normal”, reitera.
Conforme o analista, é importante destacar que a China está voltando com força para o mercado e há notícias de que o esmagamento chinês está voltando a aumentar. “A demanda chinesa deve ficar forte nas próximas semanas’, completou.
Nos portos brasileiros, a saca de 60 quilos da soja acumulou valorização de mais de 11% no mês passado. Em Rio Grande, o preço bateu em patamar histórico, subindo 11,4% e pulando de R$ 92 para R$ 102,50. Comportamento semelhante ocorreu em Paranaguá, onde a cotação subiu 11,6%, saltando de R$ 90,50 para R$ 101,00.
O impulso aos preços foi dado pelo câmbio. O dólar subiu 15,95% em março e 29,5% no trimestre, encerrando o mês na casa de R$ 5,20 e dando competitividade à soja brasileira. Nem mesmo o comportamento negativo dos contratos futuros conteve os preços domésticos.
EXPORTAÇÕES - As exportações de soja em grão do Brasil renderam US$ 3,97 bilhões em março (22 dias úteis), com média diária de US$ 180,8 milhões. A quantidade total exportada pelo país no período chegou a 11,644 milhões de toneladas, com média diária de 529,3 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 343,90.
Na comparação entre a média diária de março e fevereiro, houve uma alta de 82,5% no valor médio diário exportado, de 86,2% no volume embarcado. O preço médio teve perda de 2%. Na comparação com março de 2019, houve alta de 13,7% na receita média diária e de 18,9% no volume. O preço caiu 4,3%.