A principal demanda da produção agropecuária vem hoje da China, país que ganhou peso ainda maior em 2019 nos embarques de carnes e é o principal destino da soja brasileira. Neste momento, o que se tem é um diagnóstico de congestionamento e mudança de rotas nos portos do país asiático por conta da disseminação do vírus. Esse acúmulo de cargas e a dificuldade de fazer chegá-las ao destino final são só a ponta de um efeito cascata que poderá vir por conta desse cenário.

“A economia global está desaquecendo fortemente, e a China está completamente travada. Vendemos de acordo com o crescimento mundial, que no ano passado foi na casa de 3%. Neste, dificilmente teremos esse avanço”, alerta Antônio da Luz, economista especialista em agronegócio.

É por isso que ele avalia que as consequências do coronavírus continuarão sendo sentidas mesmo quando o problema estiver resolvido do ponto de vista sanitário: “Por quanto tempo não sei, mas com certeza não é coisa de mês. Crescimento econômico é o que gera aumento da procura pelos nossos produtos. Quando isso não ocorre, está se tirando o combustível dessa demanda”, disse.

Os números fechados das exportações brasileiras em fevereiro — quando a doença ganhou proporções continentais com a disseminação de casos entre os chineses — só serão conhecidos na próxima semana, mas poderão trazer redução de volume. E em se tratando de China, qualquer um dígito preocupa.

O governo da China proibiu o consumo de carne de animais selvagens, um hábito por lá. Se por um lado isso reforça a necessidade de outras fontes de proteína, por outro não é garantia de acesso ao mercado se estiver paralisado. Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal, Francisco Turra afirma que o assunto está no radar da entidade, mas garante que, neste momento, as indicações são de bom fluxo nos embarques.