Mesmo com uma semana a mais de plantio em relação à temporada 2018/19, a soja estadual tem projeções otimistas e um novo recorde de oferta não está descartado. Na semana passada, o cultivo foi encerrado no Estado, após 13 semanas de trabalho. São mais de 9,77 milhões de hectares semeados e em pleno desenvolvimento, conforme acompanhamento atualizado na última sexta-feira pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) .

De acordo com analistas da AgRural, “a expectativa, por ora, é de que Mato Grosso, que teve menos atraso no plantio em relação aos outros estados produtores no País, tenha safra cheia e provavelmente recorde”. A AgRural fará uma nova revisão de safra em meados de janeiro, com a colheita já em curso nas primeiras áreas.

O plantio da safra 2019/20 de soja chegou na última quinta-feira (12) a 96% da área estimada para o Brasil, contra 93% uma semana antes e 98% no mesmo período do ano passado. Com os trabalhos já encerrados ou muito próximos do fim na maioria dos estados, o foco agora fica no Matopiba, onde a semeadura segue atrasada devido à irregularidade das chuvas, e no Rio Grande do Sul, que, com 98% de sua área de soja já plantada, sentiu a falta de umidade e o calor da semana passada.

No início da semana passada, a AgRural elevou sua estimativa de produção de soja na safra 2019/20 do Brasil dos 120,7 milhões de toneladas estimados em novembro para 122,2 milhões de toneladas. Essa produção, que é recorde, é resultado de uma área de 36,4 milhões de hectares (1,6% acima da área da safra passada) e de produtividade média de 55,9 sacas por hectare.

“A produtividade estimada agora em dezembro é fruto do primeiro levantamento de produtividade por estado na atual safra, que substitui as linhas de tendência ajustadas e usadas até o mês passado. Como o plantio foi feito um pouco mais tarde este ano, o tamanho da safra ainda está em aberto em quase todos os estados”, pontuam os analistas.

O período mais seco e quente não chegou a preocupar nas áreas de soja já emergidas, mas prejudicou a emergência de lavouras recém-semeadas, especialmente mais ao sul do Rio Grande do Sul. Mas o maior risco é para a primeira safra de milho, que já está em fase reprodutiva. Felizmente para os produtores gaúchos, há chuva e temperaturas um pouco mais amenas nas previsões.

No Matopiba, o plantio segue atrasado em relação ao ano passado em todos os estados, exceto no Tocantins. Na Bahia, talhões em fase vegetativa estão conseguindo se desenvolver bem com a umidade disponível no solo, mas áreas que ainda não germinaram precisam de chuva com urgência. O mesmo vale para o Piauí.

Os mapas de previsão mostram boas chuvas na maior parte dos estados produtores de soja e milho verão, cujo plantio está finalizado no Centro-Sul do país. Os baixos volumes previstos para a Bahia, porém, ainda inspiram cuidados, conforme a consultoria.

ABIOVE - A Associação Brasileira das Indústrias? de? Óleos Vegetais (ABIOVE) anunciou o aumento da amostra de indústrias pesquisadas para os cálculos do complexo de soja, permitindo ainda mais a acuracidade dos dados de projeções do mercado. A amostra dos dados mensais de 2019 aumentou e passou a representar de 81% a 85% do processamento de soja.

Com o acréscimo da amostra, a entidade divulgou as estatísticas atualizadas até outubro de 2019, mantendo o cenário promissor de projeções e estimativas de oferta e demanda para 2020, com uma safra de 122,8 milhões de toneladas, segunda maior da história.

No balanço anual do complexo soja não houve alterações nas estimativas para 2019 e nas projeções para 2020. O aumento da mistura obrigatória do biodiesel no diesel para 12%, a partir de março de 2020, já está contemplado na projeção de consumo doméstico de óleo de soja para o referido ano.