Fabricantes de máquinas agrícolas estão trabalhando com bancos no Brasil em
alternativas para evitar que uma queda brusca nas vendas não se repita no ano
que vem, quando o financiamento público deve se esgotar, disse à Reuters o chefe
da unidade brasileira da montadora John Deere.
No último ano, os recursos do Plano Safra para financiamento de máquinas
agrícolas terminaram antes do esperado, deixando uma lacuna de crédito no setor
e afetando o comércio de tratores, colheitadeiras e outros equipamentos.
"O dinheiro acabou e ninguém disse que ia colocar mais. Daí ficamos de 90 a
120 dias com atividade muito baixa, e isso impactou no resultado do ano",
lembrou Paulo Hermann, presidente da John Deere Brasil.
Hermann afirmou esperar que o crédito do Plano Safra, política governamental
anual que garante linhas de crédito subsidiadas, vá terminar por volta de março
do próximo ano, alguns meses antes de um novo pacote ser iniciado.
"Neste ano novamente o dinheiro vai ser curto. Não vai dar até junho do ano
que vem, em março vai terminar. Mas já tem sinalização do governo, que disse não
venham buscar mais, porque não vai ter. Então (isso) está fazendo empresas e
agentes financeiros buscarem alternativas", disse ele.
Transição
O governo do presidente Jair Bolsonaro, que economicamente segue uma pauta
alinhada ao livre mercado, deseja reduzir gradualmente seu papel no
financiamento privado, inclusive para a agricultura.
Com a taxa básica de juros (Selic) em uma mínima histórica, o Ministério da
Economia quer que produtores e fabricantes de máquinas encontrem opções de
crédito no setor privado --o que Hermann classificou como uma transição.
"Transição é transição, você sai de uma região de conforto para uma
desconhecida. Isso gera apreensão, principalmente para o agricultor, que tem que
tomar a decisão de investimento", afirmou.
O executivo da Deere disse concordar com a ação do governo, apesar dos problemas vistos no último ano e das possíveis dificuldades nos próximos meses, quando o dinheiro do Plano Safra acabar.