A decisão da China de suspender a proibição de quase cinco anos a importações
de carne de aves dos Estados Unidos deverá acrescentará US$ 1 bilhão anualmente
às exportações norte-americanas, disseram autoridades nesta quinta-feira (14).
"A China é um importante mercado de exportação para os criadores de aves da
América, e estimamos que agora eles poderão exportar mais de US$ 1 bilhão em
aves e produtos avícolas a cada ano para a China", disse o representante
comercial dos EUA, Robert Lighthizer, em comunicado.
A alfândega da China informou nesta quinta-feira que suspendeu restrições à
importação de carne de aves dos Estados Unidos, com efeito imediato.
O plano para suspender a proibição ao produto norte-americano foi anunciado
pelo Ministério do Comércio da China no final de outubro, mas a publicação no
site da administração aduaneira é um reconhecimento formal da reabertura do
comércio.
A reabertura do mercado ocorre em momento em que a China enfrenta uma
escassez sem precedentes de proteínas, depois da epidemia de peste suína
africana matar milhões de porcos no país, maior consumidor global de carne suína.
O aval para a retomada do comércio acontece depois de o Serviço de Inspeção e
Segurança Alimentar dos EUA alterar o Registro Federal na semana passada para
aprovar as importações de produtos avícolas derivados de aves na China.
As aprovações para o setor avícola dos dois lados seguem ainda em meio a
negociações entre os países para resolver uma guerra comercial de 16 meses, na
qual cada país pagou tarifas de bilhões de dólares em mercadorias uns dos outros.
Melhorar o acesso aos produtos agrícolas dos EUA no mercado chinês tem sido
uma parte crítica das negociações, com a remoção de barreiras não-tarifárias
vistas como chave para alcançar o objetivo de Donald Trump de dobrar as vendas
agrícolas para a China.
A China proibiu aves e ovos dos EUA em janeiro de 2015 devido a um surto de
gripe aviária, e as importações caíram naquele ano para um quinto dos 390
milhões de dólares importados em 2014.
Frigoríficos brasileiros veem decisão com tranquilidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que está à frente da
indústria do maior exportador global de carne de frango, recebeu com "tranquilidade"
a notícia.
Isso porque a demanda chinesa atualmente é grande, com o país ampliando
compras de várias carnes para lidar com oferta menor decorrente dos surtos de
peste suína africana.
"A abertura do mercado para a carne de frango dos EUA deve contribuir para a
diminuição da grande lacuna na oferta de proteína animal na China com a recente
crise sanitária...", disse o presidente da ABPA, Francisco Turra, em nota à
Reuters.
Segundo ele, "o impacto no fluxo total das exportações brasileiras para o
país asiático não deve ser de grande relevância".
"Em alguns produtos, como asa de frango, a demanda norte-americana dificulta
a exportação", acrescentou Turra.
Desde janeiro deste ano, a China assumiu a liderança entre os principais
destinos das exportações da avicultura e da suinocultura do Brasil, disse a ABPA.
Entre janeiro e outubro, o país asiático importou 444,7 mil toneladas de carne de frango do Brasil (+22% em relação ao mesmo período do ano passado), segundo dados da ABPA. Do total exportado pelos brasileiro no ano, a China ficou com 13,3%.