O Ministério da Agricultura informou nesta quarta-feira (30) que vai voltar
atrás na decisão de estabelecer, em caráter excepcional, períodos adicionais de
restrições à pesca de camarão e lagosta, o chamado "defeso".
A medida tinha como motivação a "provável contaminação química" devido ao
derramamento de óleo que levou ao surgimento das manchas de óleo no litoral do
Nordeste – desde 30 de agosto, mais de 200 locais foram afetados pelas manchas.
Em nota, o ministério disse que testes feitos no pescado não apontam a
necessidade de proibição.
"Nós não sabíamos como é que era essa mancha de petróleo, que tipo era.
Enquanto isso estava sendo analisado, pelo princípio da precaução, nós
suspendemos a pesca em vários estados brasileiros onde esse petróleo chegou",
disse a ministra Tereza Cristina.
"Agora, hoje, já com dados na mão, nós vamos levantar essa proibição. Mas eu
quero garantir aos pequenos pescadores, aos pescadores artesanais, e até aqueles
que não recebiam dinheiro na época do defeso, que são os que coletam caranguejo
e mariscos, eles também estarão nessa lista, recebendo um salário, porque eles
estão prejudicados na sua atividade principal, no seu ganha-pão", disse a
ministra.
Área que seria afetada
Se fosse implementada, a restrição para a pesca de camarões rosa, branco,
sete-barbas e lagosta vermelha e verde abrangeria a divisa dos estados de PE e
AL e a divisa dos municípios de Mata de São João e Camaçari, na BA, durante todo
o mês de novembro.
A restrição iria valer de de novembro até o fim de dezembro, para a pesca de
camarões rosa, branco, e sete-barbas na divisa da BA e do ES, e na divisa do PI
com o CE. A atividade também seria restrita entre a Mata de São João e Camaçari,
na BA (veja detalhamento abaixo).
Parcela extra do seguro defeso
Há uma semana, o governo anunciou que vai pagar uma parcela extra do seguro
defeso no mês de novembro a pescadores artesanais que tiveram as atividades
afetadas devido às manchas de óleo.
O seguro defeso é um benefício pago a pescadores profissionais
impossibilitados de desenvolver suas atividades durante o período de reprodução
das espécies, quando a pesca é proibida.
Serão destinados R$ 59,9 milhões para esta parcela extra do seguro. Como o
óleo afetou a área marinha, o benefício será pago somente aos pescadores dos
locais atingidos, independentemente da espécie pescada, segundo o secretário de
aquicultura e pesca da pasta, Jorge Seif Júnior.
Manchas de óleo no Nordeste
As autoridades brasileiras ainda não esclareceram o que levou ao surgimento
do petróleo no litoral.
Uma reportagem do G1 desta terça aponta que existe um protocolo internacional
para limpeza de óleo nas praias, com alertas para 4 situações enfrentadas no
Nordeste. No entanto, o governo brasileiro não seguiu os métodos apontados no
contato com o óleo, no descarte de resíduos, no óleo boiando no mar e nos corais
e mangues.
O diretor de Assuntos Corporativos da Petrobras, Eberaldo Neto, disse na
sexta-feira (25) que a estatal identificou que o óleo encontrado é uma mistura
de material proveniente de três campos de petróleo da Venezuela, mas ressaltou
que não é possível identificar como foi liberado na costa nordestina.
O executivo afirmou que "provavelmente" o vazamento teve início em um navio
de passagem pelo litoral e associado a atividades ilegais, uma vez que o
problema não foi reportado às autoridades.
O governo da Venezuela disse em 10 de outubro que não é responsável pelo petróleo que atingiu praias do Nordeste brasileiro e que não recebeu qualquer relato de clientes ou subsidiárias sobre vazamentos perto do país.