Representantes de empresas, entidades e pesquisadores de 44 países estarão
reunidos a partir desta terça-feira (20) em Sertãozinho (SP) na 27ª edição da
Fenasucro & Agrocana.
Considerada uma das maiores do mundo em bioenergia, com foco em tecnologias
sustentáveis, a feira espera movimentar R$ 4,4 bilhões em negócios e deve contar
com a presença do ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles na cerimônia de
abertura, às 13h.
Entre os mil expositores e as 117 palestras programadas até sexta-feira (23)
em um dos maiores polos industriais e agrícolas da cana-de-açúcar no país,
estarão em destaque soluções da indústria 4.0, baseadas em internet das coisas,
Big Data e inteligência artificial, além de inovações em geração de energia sem
emissão de carbono.
Segundo recente estudo da Sociedade Americana de Meteorologia, a emissão de
gases do efeito estufa bateu recorde em 2018 e se mostrou 43% mais agressiva
para o aquecimento global do que em 1990.
Como uma alternativa dentro desse contexto, a geração "carbono zero" é a
pauta de iniciativas como o projeto Sucre - Sugarcane Renewable Electricity ou
Eletricidade Renovável da Cana-de-Açúcar - que será apresentado na quarta-feira
(21) durante a nona edição do Seminário de Bioeletricidade da feira.
Financiadas pelo Fundo Global para o Meio Ambiente em parceria com o Programa
das Nações Unidas Para o Desenvolvimento (PNUD), as pesquisas do Laboratório
Nacional de Biorrenováveis (LNBR), em Campinas (SP), buscam otimizar o uso da
palha da cana na geração elétrica para reduzir o impacto na atmosfera.
"É isso que temos que fazer: além do açúcar, da produção de energia através
da biomassa e do etanol, é fazer com que essa indústria de bioenergia ganhe
atenção mundial nesse cenário que nós estamos vendo, de calotas polares
descongelando, com a emissão de CO2 nos países da Europa. Esse setor entra como
catalisador, um grande filtro mundial para que esse CO2 seja captado e
transformado", afirma Paulo Montabone, gerente da Fenasucro.
Renovabio e investimentos
Um dos maiores focos da feira, a produção de energia limpa a partir da
biomassa do bagaço e da palha da cana, além de restos de madeira, carvão
vegetal, entre outras matérias, representa 9% da matriz energética brasileira,
atrás das usinas hidrelétricas, termoelétricas e eólicas, segundo a União da
Indústria de Cana-de-Açúcar (Única).
Ainda assim, somente em 2018 essa geração evitou a emissão de 6,4 milhões de
CO2 na atmosfera.
A previsão de início do Programa Nacional dos Biocombustíveis (Renovabio)
para 2020, com a liberação para que empresas emitam títulos de renda fixa para o
financiamento de projetos sustentáveis, contribui para um crescimento esperado
de 60% na produção de bioeletricidade até 2030.
Até 2028, o Ministério de Minas e Energia estabeleceu, com o uso de
biocombustíveis, reduzir a emissão de carbono em 10%, o que equivale a 600
milhões de toneladas a menos na atmosfera e a R$ 23 bilhões em certificados de
Crédito de Descarbonização (CBIO).
A importância estratégica de novos investimentos nas indústrias, como na
produção de etanol, já amplia em 10% em relação a 2018 a expectativa de volume
financeiro da Fenasucro.
"O setor sucroenergético, com a aprovação do Renovabio que entra em vigor em
1º de janeiro, tem que injetar no mercado R$ 30 bilhões em dez anos. Esse valor
vai ser catalisado pelas indústrias fornecedoras de equipamentos, produtos e
serviços para melhor eficiência das usinas que temos hoje na parte de cogeração
de energia de etanol, proporcionando um retrofit [processo de modernização]",
diz Montabone.
As mais de mil empresas da feira, incluindo representantes de 100% das usinas
brasileiras, apresentarão a um público esperado de 40 mil visitantes em torno de
3 mil produtos voltados para indústrias de biocombustíveis, transporte,
logística, papel e celulose, alimentos e bebidas.
Sistemas para controle biológico de pragas agrícolas, uma plataforma para busca e instalação de energia solar, drones no monitoramento da lavoura e gestão de dados de colheita estão entre as soluções oferecidas por startups no estande do Sebrae-SP.