A comercialização da soja mato-grossense da safra 2017/18 alcançou para 90% de todo volume produzido, 32,52 milhões de toneladas, registrando avanço mensal de 3,79 pontos percentuais (p.p.) ante o mês de junho e de 1,59 p.p. quando comparada à safra 2016/17. A movimentação, como destacam os analistas do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), foi retomada após o cenário de paralisação por parte dos caminhoneiros, vivenciado nos últimos meses.

A fluidez do mercado disponível de soja voltou a ganhar novamente fluidez, porém, de maneira cautelosa. Os analistas destacam que algumas negociações foram pontuais. “O produtor nesse período busca uma melhor margem de lucro, visto que a maior parte da sua oleaginosa já foi vendida”.

Apesar desse ensaio do mercado, os analistas do Imea revelam que a procura pela soja nova, ou seja, da safra 2018/19, “ainda se encontra travada, mesmo apresentando volume comercializado acima do que se viu em igual momento do ano passado”. As vendas atingiram 21,5% - de uma previsão de 32,31 milhões de toneladas – registrando um avanço mensal de 0,48 p.p. quando comparado com junho e de 6,46 p.p. diante da safra anterior, que no mesmo período se encontrava em 15% de sua projeção vendida. “O principal fator que continua retendo o mercado de soja futura é a indecisão quanto aos custos do frete, pois esse item é fundamental para o fechamento do custo total de produção. A partir desse fechamento o produtor tem condições de gerar valores mínimos à saca, que quando comercializados garantam rentabilidade”.

CONTRAMÃO - A valorização dos preços da soja 2017/18 no mês de julho foi um dos principais fatores para o volume comercializado durante o mês. O preço da soja disponível vinha em ascensão durante os últimos meses, e logo em seguida passou por uma retração no mês de junho, quando o mercado aguardava as definições sobre o frete.

No último mês a soja negociada atingiu o valor médio de R$ 70,38/sc, uma valorização de 5,6% em relação a junho. Um dos fatores para essa alta é a valorização do prêmio nos portos no mês, que alcançou a casa dos três dígitos, reflexo do conflito comercial entre os EUA e a China, junto com a valorização do câmbio no período.

Já a comercialização da safra 2018/19, apesar de estar acima da safra anterior e da média dos últimos 5 anos, continua travada. Os preços continuam sem direcionamento, visto que os agentes de mercado seguem cautelosos e acabam não precificando os contratos futuros até um melhor posicionamento do tabelamento mínimo do frete.